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BHP Billiton prevê desaceleração na demanda chines

Notícias Gerais

21/03/2012


A BHP Billiton, a maior companhia mineradora do mundo, alertou ontem para o “achatamento” da demanda por minério de ferro pela China, no comentário mais pessimista feito até agora por uma grande mineradora sobre o maior consumidor da commodity no mundo.
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Em uma conferência setorial realizada em Perth, Ian Ashby, presidente da divisão de minério de ferro da BHP, disse que a companhia prevê que o crescimento da demanda chinesa por minério de ferro vai recuar para um dígito.
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“A economia [chinesa] está se deslocando, está mudando. As taxas de crescimento da produção de aço vão enfraquecer, e já estão enfraquecendo”, disse Ashby na Global Iron Ore & Steel Forecast Conference. “A demanda por minério de ferro transportado por via marítima continuará crescendo vigorosamente nos próximos dez anos, embora a uma taxa anual composta de crescimento baixa”, disse ele.
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Nos últimos meses, a BHP vem ficando cada vez mais cautelosa com as perspectivas para os preços das commodities, uma vez que a demanda chinesa está diminuindo. Os comentários de Ashby seguiram-se a informações publicadas pela imprensa australiana, ontem, de que Jacques Nassar, o presidente do conselho de administração da BHP, disse a investidores que a companhia está reavaliando seus planos de investimentos e os retornos oferecidos por investimentos importantes.
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O minério de ferro é a commodity que dá mais lucro para mineradoras como a BHP, Vale e Rio Tinto. O setor da construção da China responde por mais de um quinto da demanda mundial por aço e é um grande condutor dos preços globais do minério de ferro. Mas a atividade no setor da construção diminuiu no último ano, como resultado da tentativa do governo chinês de esfriar o crescimento do setor imobiliário, o que está levando muitos analistas a acreditar que o apetite do país pelo aço vai diminuir.
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Os preços do minério de ferro caíram bastante no ano passado em meio ao aperto monetário imposto pelas autoridades chinesas, que afetou a capacidade dos comerciantes do país de obter financiamentos. O preço do matéria-prima do aço no mercado à vista caiu para US$ 116,75 a tonelada, segundo a agência Platts, especialista na formação de preços. O preço no mercado à vista (spot) tem se mantido firme este ano, permanecendo acima dos US$ 140 a tonelada na maior parte do tempo, graças em parte à oferta apertada e à formação sazonal de estoques nos portos chineses nas férias de inverno. No começo da semana, ele estava em US$ 146,50 a tonelada.
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Ashby disse acreditar que o “piso” do preço para o produto é de US$ 120 a tonelada, e que a demanda chinesa vai atingir o pico de 1 bilhão a 1,1 bilhão de toneladas em 2025. Em 2010, a demanda foi de 700 milhões de toneladas. A cautela da BHP representa um grande contraste em relação a postura da Rio Tinto, que na mesma conferência ofereceu uma avaliação mais otimista sobre a demanda por minério de ferro.
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“Em 2020, o consumo bruto de aço pela China deverá estar em torno de 1 bilhão de toneladas, pouco menos da metade do consumo mundial previsto e quase oito vezes o volume do segundo maior consumidor mundial, a Índia”, disse David Joyce, diretor de projetos de expansão da Rio Tinto para a área de minério de ferro. “Prevemos que a produção bruta de aço atingirá na China o pico de aproximadamente 750 kg per capital perto de 2030”, afirmou.
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Apesar das perspectivas cautelosas com a demanda chinesa, a BHP disse que está prosseguindo com uma ambiciosa expansão de suas operações no oeste da Austrália. A companhia disse que não pretende atrasar o projeto de US$ 20 bilhões em Pilbara e quer aumentar a produção de minério de ferro do atual nível de 165 milhões para 350 milhões de toneladas anuais até 2020, e finalmente para 450 milhões de toneladas.
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A BHP vem aguardando a aprovação de três projetos de aumento de produção de mais de US$ 10 bilhões somente para este ano: a construção de um porto afastado em Port Hedland, na Austrália Ocidental, a ampliação de sua mina Olympic Dam, na Austrália do Sul, e o projeto Jansen, de potássio, em Saskatchewan (Canadá). No entanto, aumentam as especulações de que pelo menos um desses investimentos sofrerá atrasos.
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Analistas estimam que ela terá que investir pelo menos US$ 10 bilhões em um novo quebra-mar e cais em Port Hedland, para aumentar a produção de minério de ferro para além das 240 milhões de toneladas ao ano que a companhia acredita que poderá exportar a partir do cada vez mais congestionado porto interno. A BHP terá, então, que investir mais US$ 10 bilhões para ampliar suas minas de Jinidi, South Flank Marillana. Ashby disse que a expansão do porto afastado poderá ser feita em estágios para atender a demanda.

Valor.com.br


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