Barrick Gold supera oferta chinesa pela Equinox
26/04/2011
A mineradora canadense Barrick Gold Corp. fechou um acordo para comprar a produtora de cobre Equinox Minerals Ltd. por 7,3 bilhões de dólares canadenses (US$ 7,65 bilhões), superando uma oferta chinesa e dando o mais recente tiro numa batalha por ativos minerais que envolve três continentes.
A transação intensificou uma corrida internacional por recursos naturais como o cobre. Também pode colocar a Barrick, que é a maior produtora de ouro do mundo e tem sede em Toronto, contra o poder financeiro da estatal chinesa Minmetals Resources Ltd., que ainda pode fazer uma contraoferta.
As ações da Equinox fecharam ontem acima do valor oferecido pela Barrick, a 8,37 dólares canadenses, em alta de 11,6%, o que sugere que os acionistas esperavam uma oferta mais alta da Minmetals ou um novo candidato para comprá-la.
A Minmetals não descartou um aumento de sua oferta, mas precisa de tempo para estudar o acordo da Barrick antes de decidir o próximo passo, segundo uma pessoa a par da situação. A Minmetals comunicou que comentaria depois de analisar em detalhe o anúncio do acordo Barrcik-Equinox.
O acordo de ontem ocorre em meio à crescente demanda por metais preciosos e industriais da Ásia e de outras economias emergentes de rápido crescimento. Também ganha força a recuperação em boa parte do mundo desenvolvido. Isso provocou fortes altas nas cotações de commodities, metais em particular. Os preços do cobre quase quadruplicaram depois de uma alta de dois anos, mas baixaram recentemente por causa de preocupações com as medidas da China para coibir o crédito.
Um capítulo dessa novela se passa desde janeiro na Bolsa de Toronto, que tem forte concentração de ações de mineradoras.
A Equinox informou que vai abandonar sua oferta anterior de 4,8 bilhões de dólares canadenses pela Lundin Mining Corp., que tem sede em Toronto. A oferta, hostil, havia desfeito um acordo que a Lundin havia fechado em janeiro com a Inmet Mining Corp., também de Toronto, para criar um gigante mundial do cobre.
A oferta de ontem da Barrick, representa um ágio de 30% sobre a cotação da ação da Equinox no dia anterior a sua oferta pela Lundin. Os ativos da Equinox estão principalmente na Zâmbia. Ela também tem operações na Arábia Saudita.
A chinesa Minmetals havia oferecido este mês 6,3 bilhões de dólares canadenses pela Equinox. A Equinox declarou a oferta muito baixa.
A 8,15 dólares canadenses por ação, a oferta da Barrick é 16% maior que a da Minmetals. As ações da Barrick caíram 6,7%, para 49,50 dólares canadenses.
A oferta da Minmetals não havia provocado o mesmo tipo de nacionalismo que tentativas chinesas de adquirir outras empresas causaram nos últimos anos. A sede da Equinox está na Austrália e sua ação é negociada em Sydney e Toronto. Seus ativos, por sua vez, estão principalmente na Zâmbia, com algumas operações na Arábia Saudita.
Mas o sentimento pode mudar, se a Minmetals fizer uma contraoferta agressiva ou provocar uma guerra prolongada de ofertas. Em busca de recursos para alimentar sua crescente economia, a China despachou suas estatais ao redor do mundo para comprar ativos de mineração e petróleo. Em alguns casos isso motivou intervenção de governos.
Aaron Regent, o presidente da Barrick, disse que a empresa estava de olho na Equinox desde que esta fez uma oferta pela Lundin. Mas quando a Minmetals fez sua oferta a Barrick acelerou a verificação das contas, disse ao Wall Street Journal.
A Barrick, que já tem 18,2 milhões de ações da Equinox, ou 2% do capital, informou esperar que o acordo aumente imediatamente o fluxo de caixa e o lucro. A Equinox aceitou pagar uma multa de 250 milhões de dólares canadenses à Barrick caso rompa o acordo, em certas circunstâncias.
A Barrick usou aquisições nos últimos anos para se tornar a maior produtora de ouro do mundo. Ela também é uma grande produtora de cobre e afirmou que a compra da Equinox é uma oportunidade de assumir uma das maiores minas de cobre do mundo: a Lumwana, na Zâmbia.
A Equinox dá à Barrick um lugar no cinturão do cobre africano – uma área que, junto com a América do Sul, representará, segundo a Barrick, 70% da nova oferta de cobre do mundo nos próximos cinco anos. As mineradoras internacionais têm dedicado mais atenção à África Central e Ocidental nos últimos anos. A região é relativamente inexplorada, e está ficando mais difícil encontrar novas fontes de ouro, cobre e outros metais.
Valor Economico