Avança o processo de abertura de capital da Glencore
01/03/2011
A Glencore, uma das maiores tradings de commodities do mundo, está provendo analistas com informações aprofundadas sobre seus negócios antes de uma possível abertura de capital que poderia envolver a aquisição, pelo Qatar, de uma participação em seu capital.
Caso o processo siga em frente, uma oferta pública inicial (IPO) da Glencore poderia avaliar a companhia em até US$ 60 bilhões, de acordo com estimativas da Liberum Capital, tornando a companhia a maior já listada na Europa.
“Apesar de nenhuma decisão final ter sido tomada, uma oferta inicial permanece como uma das opções”, disse uma fonte familiarizada com a situação. O processo foi apelidado de “Projeto Galaxy”.
O Qatar, dono de um fundo soberano considerado como “pedra fundamental” na operação, considera investir na Glencore, afirmou o premiê do país, o xeque Hamad bin Jassim bin Jabr al-Thani. A listagem pública permitiria à Glencore manter o crescimento mesmo se parceiros decidirem sair.
A medida também ajudaria a impulsionar o balanço da trading suíça, tranquilizando empresas de rating de crédito e permitindo que ela faça grandes aquisições usando as ações como pagamento.
A Glencore, cujo presidente executivo é Ivan Glasenberg, está enviando informações sobre a empresa a analistas como forma de melhorar o entendimento sobre a companhia e suas operações, acrescentou uma fonte.
A Glencore também pretende levar analistas para visitas às unidades da empresa em locais como Cazaquistão e África, disse uma fonte. Estas são situações comuns em negócios de grande escala, especialmente onde as companhias têm ativos físicos como minas.
A Glencore pode ofertar 20% ou mais de suas ações, possivelmente divididas entre Londres e Hong Kong, levantando até US$ 16 bilhões. Se atingir este montante, a operação da Glencore teria o mesmo tamanho que o maior IPO da Europa até o momento, a abertura da italiana Enel SpA que em 1999 levantou US$ 16,6 bilhões.
Um negócio deste porte representaria um grande pagamento para bancos de investimento – entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões – e grande valorização para os cerca de 500 sócios da firma. A Glencore, cuja fatia de um terço da mineradora Xstrata é considerada um ativo-chave, também começará a conversar com investidores que devem subscrever grandes porções, disse uma segunda fonte.
Valor Econômico