Associados do IBRAM conhecem detalhes de fundo voltado a minerais críticos e estratégicos
21/05/2026
O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) realizou nesta quinta-feira (21) um encontro virtual com associados para discutir os avanços do Fundo de Investimento em Participações (FIP) voltado a minerais críticos e estratégicos. A iniciativa é desenvolvida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com a Vale e busca ampliar investimentos privados em projetos minerais ligados à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico.
O diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, afirmou que o fundo surge para atender empresas em estágio inicial da mineração, especialmente projetos com maior necessidade de capital de risco. Segundo ele, a proposta reúne BNDES, Vale e investidores privados em uma estratégia de investimento em equity voltada ao desenvolvimento de novos projetos minerais. Cesário também destacou a importância de iniciativas complementares, como o fundo garantidor em discussão no Congresso, para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a sustentabilidade financeira das empresas do setor.
O chefe do Departamento de Indústrias de Base do BNDES, Flávio Mota, afirmou que o banco identificou a falta de instrumentos no Brasil para financiar empresas de mineração em fase inicial, que hoje dependem principalmente dos mercados do Canadá e da Austrália. Segundo ele, o FIP foi estruturado em parceria com a Vale justamente para preencher essa lacuna e apoiar projetos ligados à transição energética e à segurança alimentar.

De acordo com Mota, a expectativa é que o fundo alcance R$ 1 bilhão em capital comprometido e apoie entre 18 e 20 projetos minerais. O foco será em pequenas e médias empresas, incluindo companhias ainda não operacionais. Ele acrescentou que a iniciativa entrou agora na fase operacional, após a seleção dos gestores responsáveis pela estrutura do fundo.
O sócio da Ore Investments, Eduardo Cardoso, destacou que a estruturação do fundo foi um processo longo e criterioso, iniciado a partir do edital lançado pelo BNDES e pela Vale em 2024. Segundo ele, o consórcio formado pela Ore Investments e a Regia Capital foi selecionado após uma concorrência que reuniu grandes gestoras, bancos e investidores ligados ao setor mineral.
Cardoso afirmou que o fundo já está em fase de captação e próximo de se tornar operacional. Segundo ele, um veículo de investimento coordenado pelo Banco do Brasil levantou cerca de R$ 105 milhões para investir exclusivamente no FIP, somando-se aos aportes iniciais previstos do BNDES e da Vale. A expectativa, segundo o executivo, é atingir nas próximas semanas o volume mínimo necessário para o início dos investimentos. Ele acrescentou que o fundo está aberto tanto para novos investidores quanto para empresas de mineração interessadas em apresentar projetos para análise.
Ao final do encontro, representantes das empresas associadas puderam esclarecer dúvidas sobre a estrutura, o funcionamento e as oportunidades de participação no fundo.