Argentino é o novo presidente da Usiminas
18/01/2012
Julián Eguren assume o cargo no lugar de Wilson Brumer, na primeira mudança após a entrada da Ternium no bloco de controle
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O argentino Julián Alberto Eguren, que comandava a siderúrgica Ternium no México, é o novo presidente da Usiminas, em substituição a Wilson Brumer. A troca é a primeira mudança de porte na siderúrgica mineira após a entrada da argentina Ternium no bloco de controle.
O nome de Eguren já era aguardado pelo mercado. Ele é visto, segundo analistas consultados pela Agência Estado, como um executivo experiente, que poderá ter uma presença importante para traçar o futuro da Usiminas. O executivo, de 48 anos, trabalha desde 1987 no Grupo Techint, controlador da Ternium. Agora, outras mudanças deverão vir, com troca de parte da diretoria atual da siderúrgica.
Segundo Leonardo Correa, Pedro Grimaldi e Luiz Fornari, analistas do Barclays Capital, uma mudança na companhia deverá ocorrer de forma gradual. No momento, a opinião sobre a empresa segue inalterada, afirmam os especialistas. “Os fundamentos continuam fracos, uma mudança cultural na Usiminas pode levar um tempo para ser implementada e pressões políticas podem surgir”, disseram, em relatório.
Além disso, o banco britânico destaca que a Usiminas deverá apresentar resultados fracos no quarto trimestre de 2011 e no primeiro de 2012. Um aumento de preço para o aço plano também é apontado como improvável.
Um analista que acompanha o setor, que pediu para não ser identificado, afirma que a questão é em quanto tempo a nova administração da Usiminas deverá apresentar mudanças que serão visualizadas nos negócios da empresa. No Brasil, a siderúrgica mineira foi a que mais sentiu os efeitos da crise econômica que ocorreu em 2008 e, desde lá, tem tentado se recuperar de um cenário de margens comprimidas, um dos efeitos do preço em queda do aço plano e da valorização das principais matérias-primas da siderurgia: o minério de ferro e o carvão.
O mercado espera, ainda, que o setor de mineração continue sendo um dos focos da siderúrgica nos próximos anos. O planejamento da companhia era de que a autossuficiência fosse alcançada em 2015. Esse ponto, aliás, é um dos destaques da administração de Wilson Brumer – que ocupava o cargo de presidente da Usiminas desde abril de 2010 – com a criação da Mineração Usiminas, empresa que reuniu os ativos de mineração do grupo.
Voto de confiança. Outro ponto que o mercado destacou foi o voto de plena confiança que a acionista Nippon Steel deu aos sócios argentinos. A Nippon e a Ternium já são sócias no México, e também sempre mantiveram uma concorrência bastante amigável.
Os investidores também devem analisar de perto as próximas decisões de investimentos pela siderúrgica com a entrada da Ternium. Os analistas estão atentos se a Usiminas investirá na produção de placas, o que poderia atender à demanda da Ternium, atualmente suprida pela importação do produto. Vale lembrar que, em 2010, por conta da inviabilidade econômica, a Usiminas cancelou o projeto de uma nova usina no município de Santana do Paraíso (MG).
Ontem, além da mudança da presidência, a Usiminas também informou ao mercado a assinatura do novo acordo de acionistas, que substituirá o anterior. O grupo T/T (Ternium, Confab, Prosid e Siderar), a NSC, Nippon Usiminas, Metal One, Mitsubishi e a Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU) assinaram o acordo. Segundo comunicado, o acordo é “essencialmente idêntico” ao celebrado no dia 27 de novembro de 2011.
Os anúncios de ontem selam o negócio fechado no fim de novembro, quando a companhia argentina fechou a compra da participação na siderúrgica mineira por cerca de R$ 5 bilhões. A fatia foi adquirida da Camargo Corrêa e da Votorantim que, juntas, tinham 26% das ações com direito a voto, e do fundo de empregados da Usiminas, que também vendeu parte dos seus papéis.
A siderúrgica tem uma capacidade de 9,5 milhões de toneladas de aço, em duas unidades produtivas. Procurada, a empresa não se pronunciou sobre a mudança de administração.
O Estado de São Paulo