Aquisição mostra domínio da China nas terras raras
13/03/2012
O acordo de US$ 1,3 bilhão da Molycorp Inc. para comprar uma processadora importante de minérios de terras raras gerou um alerta dos representantes do setor. Elas levantaram a possibilidade de o negócio reforçar a posição da China como principal fonte de imãs especializados usados em eletrônicos de consumo e armas sofisticadas.
;
A Molycorp informou quinta-feira que pretende comprar a Neo Material Technologies Inc., que tem ações negociadas na Bolsa de Toronto e é uma das maiores especialistas mundiais na química necessária para transformar as terras-raras ? minérios com aplicações que variam de baterias automotivas a armamento avançado ? em imãs especializados. A Molycorp informou que o negócio cria a mais diversificada empresa de terras raras fora da China, país que domina o setor.
;
“Nós agora vamos da mina ao imã”, disse Mark A. Smith, diretor-presidente da Molycorp, cuja sede fica em Greenwood Village, no Estado do Colorado.
;
Mas o acordo também abre caminho para a Molycorp enviar minérios de sua mina californiana para as operações chinesas de uma filial da Neo Material chamada Magnequench, num lembrete sobre o quanto dos recursos tecnológicos das terras raras que se concentra na China.
;
Ed Richardson, presidente da Associação Americana de Materiais Magnéticos, disse que o plano é preocupante. Os Estados Unidos já são “perigosamente dependentes da China” para obter os imãs de terras raras, inclusive para seus sistemas bélicos, disse Richardson. “A exportação de ativos de terras raras americanos para a China [pela Molycorp] só vai piorar esse problema”, acrescentou.
Smith minimizou as implicações políticas e históricas do acordo que liga a Molycorp, a Magnequench e a China. Ele disse que enviar óxidos de terras raras à China é uma tentativa de “aumentar o volume e aumentar a margem” que apenas reduzirá o custo de produção nos EUA, o que consequentemente aumentará a oferta dos materiais para a indústria.
;
Embora boa parte do debate sobre o controle chinês do mercado de terras raras tem se concentrado na mineração, o acordo da Molycorp ressalta a capacidade chinesa de processar óxidos minerados em metais que ajudam carros elétricos a armazenar energia, giram turbinas eólicas e dão precisão a giroscópios militares.
;
Como a maioria dos acontecimentos no minúsculo mas crucial setor de terras raras, a fusão é uma resposta à supremacia chinesa nesse mercado. Companhias como a Molycorp e a australiana Lynas Corp. estão tentando criar alternativas à oferta chinesa, que controla 90% do mercado em vários segmentos de terras raras. O acordo da Molycorp também surge num momento em que analistas preveem que a Organização do Comércio vai questionar oficialmente as regras chinesas para limitar a exportação de algumas terras raras, regras essas que Pequim afirma visam proteger o meio ambiente, mas que Washington considera barreiras comerciais.
;
Os analistas concordam com o argumento da Molycorp de que a compra da Neo Material trará um aumento relevante na sua capacidade tecnológica, especialmente nos pós usados em imãs de alto desempenho. A empresa americana torna-se assim mais mundial, com vendas e produção em vários novos mercados. A Molycorp. argumenta que o acordo também diminuirá o custo de produção, agora que a empresa está reabrindo sua mina na Califórnia, que já foi a maior produtora de terras raras do mundo. A mina foi fechada há vários anos devido à queda nos preços desses minérios e preocupações com o meio ambiente.
;
WSJ Americas