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Após expropriação da YPF, mineradoras devem investir US$ 3,5 bilhões

Notícias Gerais

09/05/2012


As principais empresas de mineração instaladas na Argentina devem investir US$ 3,5 bilhões ao longo de 2012, volume significativamente superior aos US$ 2,3 bilhões investidos em 2011. O anúncio foi realizado pelo secretário de mineração, Jorge Mayoral, que, exultante, declarou: “Constantemente recebemos consultas das principais empresas do mundo para investir na Argentina”.
Mayoral citou as declarações do CEO da Yamana Gold, Peter Marrone, que na semana passada afirmou que sua empresa avalia projetos onde existe previsibilidade de regimes políticos, fiscais e tributários. “Temos essa previsibilidade na Argentina, Brasil e México”.
O setor de mineração foi, até agora, um dos poucos que não sofreram pressões do governo federal argentino. Esse mercado, inclusive, foi favorecido pela presidente Cristina Kirchner, que implementou ? apesar da oposição dos grupos ambientalistas ? uma lei que permite que as mineradoras façam explorações nas áreas da Cordilheira dos Andes onde existem geleiras.
Os habitantes de vilarejos localizados nas áreas das minas realizaram protestos no ano passado contra as empresas de mineração. Na ocasião, pela primeira vez, o governo Kirchner ordenou a repressão de manifestantes de um protesto social.
No entanto, apesar das boas relações com o governo, as empresas de mineração, reunidas na província de Salta para o encontro anual do setor, estão de olho em eventuais expropriações, tal como ocorreu recentemente com a empresa YPF de gás e petróleo.
Mayoral sustentou que “não haverá problemas” para as empresas. No entanto, fez uma nuance: “Sempre que elas reinvistam lucros e avancem na direção da formação de empresas mistas”.
Diversas províncias pretendem anunciar em breve que participarão das explorações de minério por intermédio de empresas provinciais, que fariam parcerias com as empresas privadas.
O governador de Jujuy, Eduardo Fellner, destacou que não vislumbra futuras expropriações no setor de mineração. “Mas estamos avançando em esquema para que as províncias participem da renda gerada por essa atividade”, explicou. Segundo ele, em julho começará um empreendimento misto para a exploração de lítio em sua província.
No entanto, o governador foi claro sobre as possibilidades financeiras do governo de Jujuy colocar fundos para o investimento: “Jujuy não tem dinheiro. Portanto, contribuiremos com outras coisas, como a aproximação com as comunidades indígenas, diálogo com ambientalistas e outras facilidades que somente o Estado pode propiciar”.
Segundo Martin Dedeu, presidente da Câmara Argentina de Empresas de Mineração (CAEM), a Argentina atualmente ostenta o terceiro posto na produção mundial de lítio, o quarto em cobre, o sétimo em prata e o nono em ouro. Do total da produção, 48% concentram-se nas província do norte da Argentina. Outros 15% concentram-se na Patagônia.
Caso pontual
O presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignácio De Mendiguren, afirmou que “não está ocorrendo uma onda reestatizantes. O caso da YPF foi algo pontual”. Segundo De Mendiguren, “a expropriação da YPF foi menos pior do que parecia que seria”.

Estado de S. Paulo


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