Aporte em Minas pode somar R$ 51,9 bi
06/06/2012
Pesquisa do Sebrae-MG aponta alta de 8% na previsão de investimento a ser realizado em dois anos.
Mesmo diante das incertezas do cenário internacional, as empresas mineiras confiam em dias melhores. A segunda edição da pesquisa do Sebrae-MG, divulgada ontem, aponta alta de 8% nos investimentos ante o último levantamento, o que representa R$ 4 bilhões a mais. Com isso, os aportes no Estado devem somar R$ 51,9 bilhões em dois anos, enquanto o último levantamento indicava, há três meses, R$ 47,9 bilhões.
“Os resultados são reflexo da política de atração de investimentos adotada há anos pelo governo do Estado, aliado ao mercado interno, que dá sinais de recuperação”, analisa o gerente da área de inteligência empresarial do Sebrae-MG, Brenner Lopes.
A geração de energia limpa e renovável, aliada às inversões de grandes indústrias, deve atrair para o Norte de Minas aportes de quase R$ 4 bilhões até 2014. Além das indústrias dos mais diversos segmentos, inclusive da mineração, a região – apesar de ter ficado em quarto lugar, atrás da Central, Jequitinhonha, Mucuri e Noroeste – vem atraindo empresas ligadas ao setor de geração de energia limpa e renovável.
Capitão Enéas, por exemplo, vai receber a maior usina de energia solar voltaica da América Latina, num investimento de R$ 150 milhões, da multinacional chinesa Sky Solar, que vai gerar 30 MW de energia, o suficiente para atender uma cidade de 200 mil habitantes. Para isso, firmou protocolo de intenções com o governo mineiro e com a prefeitura e adquiriu um terreno no município, no qual vai implantar os painéis. Atualmente, os chineses dominam a tecnologia, sendo os maiores geradores de energia solar do planeta.
“Nos últimos meses, a região provou que tem bom potencial para aproveitamento de algumas dessas fontes. Por isso, deve continuar atraindo bons negócios”, prevê Lopes. “A expectativa é de que mais indústrias sejam instaladas por lá. A maioria delas atraídas pela mão de obra barata, aliada à localização estratégica dos municípios”, acrescenta.
O estudo aponta, ainda, que a mineração e a siderurgia continuam a impulsionar a economia mineira. Contudo, tem havido um fortalecimento de outros setores, como os de química, energia, fertilizantes e o sucroalcooleiro. Outra atividade que deve continuar em alta é a indústria automobilística, que pode receber novos aportes de grandes empresas, como Fiat, Mercedes-Benz e Case New Holland (CNH).
Indústria – O setor industrial continua dominando os investimentos estimados para Minas, com 83% do total. A participação do comércio e serviços apresentou crescimento, passando de 10% para 12% da primeira edição da pesquisa para a atual. Esse efeito tem reflexos no crescimento do potencial de consumo das cidades do interior de Minas, que têm atraído novos empreendimentos, como shoppings, supermercados, hotéis e lojas.
No agronegócio, os valores estimados ficaram em torno de R$ 2 bilhões. A captação de informações sobre previsão de investimentos nesse segmento, no entanto, é mais pulverizada e com menos registro na mídia em geral.
A diversificação setorial é acompanhada por maior descentralização regional dos investimentos. A pesquisa aponta o crescimento na aplicação de recursos no Triângulo, Alto Paranaíba, Zona da Mata, Sul de Minas e Norte. Continua a ocorrer, todavia, uma forte concentração de aportes na região Central (que abrange a região metropolitana de BH), que atrai 54% da previsão de investimentos previstos em Minas para os próximos 24 meses.
Elaborada pela Unidade de Inteligência Empresarial (Uine) do Sebrae-MG, o estudo tem como base as informações divulgadas pela imprensa e os protocolos de intenções assinados com o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi). O Sebrae-MG esclarece que procura checar as informações sobre os investimentos com as próprias empresas.
Diário do Comércio