AngloGold acredita em maior valorização do ouro
24/08/2011
O preço do ouro poderá chegar a US$ 2.200 em menos de dois anos, puxado pela pressão dos custos de produção e por uma eventual piora das condições das economias centrais. A previsão é do principal executivo da mineradora sul-africana, AngloGold Ashanti, Mark Cutifani. Ele esteve em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio para reuniões e eventos.
“A demanda global por ouro se assenta em bons fundamentos e está aumentando significativamente, principalmente como investimento. E mesmo com os preços atuais o setor não está produzindo ouro o suficiente para satisfazer o apetite do mundo”, disse ele em entrevista ao Valor na semana passada quando visitou o Brasil. A produção mundial do metal tem estado praticamente estável nos últimos sete anos.
Há um ano em meio, em janeiro de 2010, a onça-troy (equivalente a 31,1 gramas) de ouro estava cotada em US$ 1.078,7 em Nova York. Em janeiro deste ano, chegou a US$ 1.336,1 e ontem foi vendido a US$ 1.843,10. A alta histórica da cotação foi atingida nos anos 80 quando a onça chegou a cerca dos US$ 2.200.
Segundo Cutifani, o preço de produção da onça do metal tem subido entre US$ 120 a US$ 150 a cada ano. A média de aumento nos últimos sete anos foi de 15% ao ano, diz o executivo. “Os custos estão subindo nesse ritmo devido ao fato de que as minas estão ficando mais profundas, o que tem reduzido o grau de minério extraído, e também devido à inflação”, diz o principal executivo da mineradora. “Se simplesmente adicionarmos esses custos aos preços atuais chegamos aos US$ 2.200 dentro de dois anos.”
Mas além da produção estar mais cara, há outros dois componentes no cenário traçado pela AngloGold. “O mundo está atualmente muito consciente em relação ao papel que o ouro passou a desempenhar, dando mais equilíbrio a portfólios de investimento. Some isso às ações imprevisíveis dos políticos, e temos uma receita em que tudo pode acontecer.” Dependendo das respostas políticas à situação econômica nos Estados Unidos e Europa e dependendo da capacidade dos governos de restaurarem a confiança dos investidores, a cotação do ouro alcançaria a marca dos US$ 2.200 antes de 2013, avalia o australiano Cutifani.
Para as mineradoras, a atual alta dos preços tem permitido investimentos em novos projetos. No caso da AngloGold, a empresa espera um aumento de sua produção no próximo ano e em 2013 – após quatro anos de estabilidade – graças a aquisições e a descobertas recentes. Colômbia e países do Oriente Médio e África, entre eles Arábia Saudita, Egito, Eritreia e Etiópia são áreas com muito potencial para se transformarem em novas fronteiras de produção de ouro. A empresa produz e prospecta o metal em 25 países.
“No Brasil, ainda vemos Minas e Goiás como as regiões com melhores perspectivas”, disse. A região Amazônia, onde tem feito estudos sobre possíveis reservas, os resultados ainda são muito iniciais, afirmou o executivo. Em Minas Gerais, a companhia opera minas em Sabará e em Santa Bárbara; em Goiás extrai ouro na cidade de Crixás.
No ano passado, a empresa anunciou um plano de investimento de US$ 1 bilhão até 2015 no país. Somente em exploração (prospecção), a empresa investe US$ 30 milhões por ano no Brasil e prevê que, em cinco anos, este valor salte para US$ 50 milhões a US$ 60 milhões. “Gostaríamos que dentro de dez anos estivéssemos produzindo 1 milhão de onças no Brasil. O que colocaria o Brasil em uma situação comparável à de dois grandes produtores, Gana e África do Sul”, disse Cutifani.
Desde 2008, a produção no Brasil está na casa dos 400 mil onças – o que equivale a 9% da produção da companhia. “O Brasil continua um bom lugar para operar”, disse ele, numa comparação com outros países onde a empresa possui minas. “Primeiro porque o Brasil tem uma história relacionada descobertas de ouro; segundo, tem muita gente preparada; além disso o país entende a importância da mineração e os impostos não representam os maiores custos, seriam custos médios ou pequenos”, disse ele.
Quanto à discussão a respeito de novas regras que aumentariam a taxação das empresas de mineração no Brasil – incluindo o ouro -, Cutifani diz: “O que eu gostaria de ter aqui é uma taxação baseado na lucratividade e não na receita bruta”. Perguntado se um aumento na taxação afetaria os planos de investimento da empresa no país, o executivo desconversa e diz apenas que considera que na relação com as mineradoras o “governo brasileiro tem mostrado uma postura bastante equilibrada e razoável”.
Valor Econômico