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Anglo American planeja ser líder mundial em níquel

Notícias Gerais

01/03/2010


O engenheiro de minas Walter De Simoni, mineiro de Passos, tem pela frente uma missão um tanto espinhosa na Anglo American – transformar a companhia sul-africana, com sede em Londres, num dos dez maiores produtores mundiais de níquel. À frente dessa unidade de negócios desde outubro, o executivo traçou a meta de elevar a participação da multinacional de meros 2% para o patamar de 10% da produção global em menos de uma década.
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O Brasil é peça-chave nessa estratégia, pois concentra no portfólio da companhia ativos de peso – diga-se, jazidas de níquel qualificadas de classe mundial. Além de estar na fase final de conclusão de seu maior projeto desse tipo de metal no mundo, caso de Barro Alto, localizado em Goiás, que sofreu um ano de atraso por conta da crise, a Anglo é dona de duas reservas localizadas no Pará e no Mato Grosso: Jacaré e Morro Sem Boné. Juntas, elas poderão no futuro quase triplicar o tamanho que a empresa passará a ter nesse negócio a partir de 2011.
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Com investimento de US$ 1,8 bilhão, Barro Alto vai somar 36 mil toneladas de níquel na forma de ligas quando entrar em operação em janeiro do próximo ano. Em Niquelândia, a 150 quilômetros de Barro Alto, a empresa já produz 10 mil toneladas. Saindo do Brasil, a mineradora faz outras 16 mil em Loma de Níquel, na Venezuela. As duas novas minas têm potencial para produzir aproximadamente 110 mil toneladas de níquel, material que é aplicado principalmente na fabricação de aço inox – em torno de 60% do consumo vem desse tipo de aço.
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Haverá demanda para tanto níquel a ser despejado no mundo, considerando que a Vale – a líder global – e a Votorantim também desenvolvem novas operações de produção, no Brasil e no exterior, além de BHP Billiton, Norilsk e outros concorrentes? O executivo, “prata da casa” escolhida para comandar essa área, diz estar ciente disso, mas observa que o cenário futuro é bem promissor. “Há uma previsão de aumento na demanda de níquel na faixa de 6% ao ano até 2020”, informa. O preço médio para este ano e para 2011, de US$ 18 mil por toneladas, é avaliado por ele como atrativo. Na Bolsa de Londres (LME), atualmente é negociado no patamar de US$ 20 mil (ver gráfico abaixo sobre o desempenho das cotações do níquel na LME).
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O mundo consumiu 1,31 milhão de toneladas de níquel em 2008, puxado fortemente pela China. No ano passado, com a crise, a demanda caiu um pouco, mas as previsões de especialistas é que alcance 1,5 milhão de toneladas por volta de 2015. Para este ano, a expectativa é de alta de 7% na demanda de níquel, com aumento de 12,5% na produção de aço inox.
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Tirar Jacaré e Morro Sem Boné do papel requer mais que mercado firme e crescente e preços atraentes. Fora os US$ 6 bilhões de investimentos previstos, há mais desafios, aponta De Simoni. Ele aponta infraestrutura precária de acesso aos locais das minas e garantia de suprimento de energia às futuras usinas de metalurgia do metal. A liga de ferro-níquel requer uso intensivo de energia. Outra barreira, diz, é o câmbio. “Como está hoje, fica difícil competir lá fora e, principalmente, vender na China.”
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Em meados do ano, os novos planos serão apresentados à direção do grupo. Até começo de junho, De Simoni e suas equipes vão trabalhar arduamente para refinar e atualizar todas as informações. Às vésperas do início da abertura da Copa do Mundo, na África do Sul, o comitê executivo da Anglo presidido por Cynthia Carrol reúne-se em Joanesburgo para analisar as propostas de todas as unidades de negócios.
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A jazida de Jacaré, com reservas avaliadas em torno de 500 milhões de toneladas, com teor médio de 1,19% de níquel, está 60 km ao norte da cidade de São Félix do Xingu, no Pará, ´não muito distante´ da futura hidrelétrica de Belo Monte. É formada por dois tipos de minério (saprolítico e laterítico), os quais vão exigir duas tecnologias diferentes: uma para fazer 34 mil toneladas na forma de ferro-níquel (pirometalurgia) e outra para 47 mil toneladas de níquel eletrolítico (hidrometalurgia) e 5,4 mil de cobalto. A vida útil do projeto é estimada em 49 anos e a primeira fornada de metal (ferro-níquel) está prevista para 2015.
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Morro Sem Boné está localizado a 80 km da cidade de Vilhena, no Mato Grosso. Com vida útil de 21 anos, atualmente a jazida tem reservas conhecidas de 47 milhões de toneladas de minério com elevado teor de níquel – 1,78%. A produção prevista é de 32 mil toneladas de níquel na forma de ligas.
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Ao divulgar seu balanço financeiro de 2009 duas semanas atrás, a Anglo informou que seus investimentos aprovados nos negócios mais atrativos, de US$ 17 bilhões, vão permitir elevar a produção orgânica da companhia em um terço a partir de 2013. Em níquel, vai crescer 139%, para cerca de 65 mil toneladas ao ano. Com a fase 1 de Jacaré mais Morro Sem Boné, que espera iniciar a implantação daqui a dois anos, poderá dobrar o volume produzido em 2016. Na unidade de negócio platina, na África do Sul, o grupo produz também 19 mil toneladas de níquel como subproduto.
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As obras de Barro Alto, no momento com seis mil pessoas trabalhando, já estão 80% concluídas e só na parte de ambiental os investimentos alocados somam US$ 150 milhões. “Vamos tirar o primeiro metal em dezembro”, confia o executivo. O valor total do projeto, originalmente estimado em US$ 1,2 bilhão, subiu por conta do atraso de um ano e pela variação cambial. Nos primeiros cinco anos vai produzir 40 mil toneladas anuais, de meados de 2012 em diante, depois se estabilizando em 36 mil. Ao inverso de hoje, 80% da produção será destinada para exportação.
As maiores reservas de níquel no mundo estão na Austrália, 19%, seguida por Cuba (16%), Canadá (11%) e Brasil, com 6%. E a China se tornou o maior consumidor do metal em 2008, com 22%.

Valor Econômico


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