Anglo American aposta em forte demanda do níquel
07/12/2011
Quem passa pela rodovia Belém-Brasília pode enxergar o complexo feito com 130 mil metros cúbicos de concreto e 30 toneladas de estrutura de aço, numa altura semelhante ao de um prédio de 20 andares, que compõe a nova planta da Anglo American na cidade de Barro Alto, em Goiás. A grandiosidade do projeto, inaugurado ontem, reflete a forte expectativa que a empresa tem no crescimento do mercado.
A mineradora do Reino Unido, que investiu na unidade goiana US$ 1,9 bilhão, aposta no aumento da demanda por produtos de aço inoxidável e por baterias – de eletroeletrônicos e de automóveis – para puxar a produção de níquel, no Brasil. De acordo com a presidente global da Anglo American, Cyntia Carroll, a volatilidade das commodities não deve atrapalhar os negócios da empresa. “Apesar das incertezas da economia mundial, países emergentes estão mostrando dinamicidade econômica. Enxergamos no Brasil um crescimento contínuo, que garantirá investimentos”, afirmou ontem a executiva durante abertura da planta de níquel em Barro Alto (GO).
Desde março de 2011, já são produzidas no local cerca de mil toneladas mensais de níquel. Mas a expectativa é de que a produção atinja 36 mil toneladas anuais até o final de 2012. “Acreditamos que a demanda de aço deve aumentar no mundo, principalmente na China, e o níquel é fundamental para a produção das siderúrgicas”, disse Carroll. Ela acrescenta que a planta é uma das mais competitivas do mundo no segmento.
Para o presidente da unidade de níquel da Anglo American no Brasil, Walter Di Simoni, os planos da empresa para 2012 estão mantidos, ainda que haja um aumento na turbulência econômica. “As mineradoras trabalham no longo prazo”, disse o executivo. Ele também acredita que no ano que vem deve haver uma alta nos preços do níquel. “A China hoje consome 43% do níquel produzido no mundo e a tendência é que esse cenário se mantenha”, diz.
A Anglo American possui outra unidade produtora de níquel, na cidade de Niquelândia, também em Goiás. Já o projeto Jacaré, no Pará, está em fase de pesquisa e estima reservas de 500 milhões de toneladas do minério. De acordo com a diretoria da empresa, os investimentos no Pará estão garantidos, mas os números ainda não estão fechados. “Nossa produção de níquel em Goiás será exportada para o mundo todo, principalmente para a China”, diz Carroll.
Por ora, a presidente global da companhia afirma que a mina de Barro Alto e o projeto de minério de ferro Minas-Rio são dois dos quatro mais importantes da empresa, globalmente. “Esses dois projetos devem alavancar o faturamento da companhia no mundo”, diz.
Para o geólogo e consultor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Luciano Borges, o comportamento histórico do mercado de níquel é considerado de alta volatilidade, no entanto, a demanda das siderúrgicas e o padrão de “conforto” proporcionado pelos novos produtos eletroeletrônicos, no mundo, devem sustentar os negócios nesse segmento. “As perspectivas são positivas e a demanda se projeta crescente para o futuro”, afirma Borges. Ele também afirma que os preços do minério têm se mantido altos nos últimos anos.
O geólogo destaca que muitas empresas têm procurado as reservas de níquel, de olho no crescimento desse mercado, mas esbarram na incerteza do Novo Código de Mineração. “A forma como o governo anunciou as futuras medidas traz dúvidas ao mercado, que acaba deixando os investimentos para depois”, diz.
De acordo com o Ibram, o Brasil é o décimo maior produtor de níquel contido no minério e registrou, só em 2010, 66,2 mil toneladas em 2010. A Rússia é a maior produtora do mundo, com 17% do volume total, seguido pela República Dominicana com 15% e Canadá com 10%. Segundo Carroll, os investimentos na planta de Barro Alto devem alavancar os negócios de níquel da companhia, elevando o market share global da Anglo American de 8% para 11% já em 2012. Para Di Simoni, se a crise mundial não avançar, é possível que haja falta de níquel no mercado, em 2020. “Pode haver um déficit de até 600 mil toneladas, atuais”.
No Brasil, os principais produtores, mensurados pela arrecadação do imposto de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), são Bahia (46%), Goiás (42%) e Minas Gerais (12%). As reservas de níquel no Brasil alcançam 8,7 milhões de toneladas de minério contido. O País figura em quinto lugar entre as maiores reservas mundiais, com 12% do total, equivalente a 71 milhões de toneladas. A Austrália possui a maior reserva: 37%. Entre os players do setor no Brasil estão Votorantim Metais, Vale e Anglo American.
DCI