Análise: taxas em mineração podem subir
04/07/2010
As mineradoras de todo o mundo podem ter que conviver com alíquotas de impostos mais altas depois de um acordo ser fechado na Austrália, mas um eventual consolo pode ser a probabilidade menor de que países elevem os impostos unilateralmente.
;
A Austrália desistiu na sexta-feira de seus planos de instaurar um imposto sobre lucros elevados na área de mineração, após uma campanha contrária intensa por parte de mineradoras, e fechou um acordo para uma nova fórmula de impostos que ainda assim vai elevar as alíquotas.
;
A lição que a briga australiana (que acabou levando à queda de um primeiro-ministro) traz para outros países mineradores parece ser que impostos um pouco mais altos são viáveis, desde que não sejam demasiado extremos em comparação com países rivais e desde que o setor minerador seja consultado.
;
“Uma lição que os governos devem aprender com isto é que eles devem pelo menos consultar o setor da mineração para adotar uma abordagem sensata aos impostos e não taxar as mineradoras tanto que elas abandonem seu país e caiam nos braços de outro,” disse o analista Peter Davey, da Ambrian, em Londres.
;
Pelo novo acordo, a Austrália reduziu o imposto máximo de 40%, como seria no plano original, para 30%.
;
Grandes mineradoras como a BHP Billiton e a Rio Tinto, que inicialmente criticaram o governo australiano por não realizar consultas, disseram que o “super” imposto tinha colocado em risco cerca de US$ 20 bilhões em investimentos na mineração.
;
Quando a Austrália primeiro, em 2 de maio, anunciou planos para um novo imposto sobre “superlucros,” suscitou receios de que outros países seguissem seu exemplo.
;
Alguns países ficaram na espera, aparentemente para ver se o então primeiro-ministro australiano Kevin Rudd teria êxito com seu plano, enquanto outros, como o Canadá, destacaram suas alíquotas estáveis, buscando atrair novos investimentos.
;
Analistas tinham dito anteriormente que o Brasil poderia enxergar o imposto australiano como precedente. Mongólia, Zâmbia, Peru e Equador já estudaram e, em alguns casos, implementaram impostos sobre ganhos elevados.
;
A Zâmbia revogou seu imposto sobre lucros elevados no início do ano passado, após forte oposição.
;
“Acho que os problemas políticos causados a Rudd farão com que outros países estudem a questão muito cuidadosamente antes de seguir o exemplo australiano. Acho que eles pensarão duas vezes antes de adotar o mesmo processo,” disse o analista Andrew Keen, do HSBC.
;
Terra