Ama-BR descarta autossuficiência em adubo em menos de 5 anos
11/02/2010
O diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (Ama-Brasil), Carlos Eduardo Florence, é cético quanto à possibilidade de o Brasil atingir a autossuficiência na produção do insumo em três anos, como apontou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista publicada hoje no jornal “Valor Econômico”. “Não há notícias de projetos internos que possam tornar o Brasil autossuficiente neste período”, afirma Florence. Ele diz que investimentos no setor levam entre cinco a seis anos, no caso do fósforo e do nitrogênio, e até 10 anos, no potássio, para se tornarem viáveis. Além disso, diz ele, o consumo também mantém seu ritmo de crescimento. Projeção do Ministério da Agricultura aponta que a demanda por fertilizantes pode saltar para 36 milhões de toneladas até 2020, contra as atuais 22,4 milhões de toneladas. Para o executivo, as duas empresas que teriam condições de atender a meta do governo de elevar a oferta interna no País são a Vale e a Petrobras, por terem maior capacidade de investimento e já deterem os recursos necessários para a produção. A estatal é a única produtora de gás no Brasil. Já a Vale, após a recente aquisição dos ativos de fertilizantes da Bunge, possui hoje 85% das reservas de fósforo do País. No caso do potássio, cujas importações correspondem a 90% do consumo total, os investimentos da Vale devem cobrir parte importante da demanda nacional. Na mina de Sergipe, a companhia deve elevar a produção para até 2,4 milhões de toneladas até 2013. Em outro investimento, na Argentina, a empresa planeja produzir até quatro milhões de toneladas, das quais a maior parte seria destinada ao Brasil. A demanda nacional por fertilizantes à base deste nutriente está em torno de sete milhões de toneladas. Florence pediu cautela na mudança da legislação para o setor de fertilizantes. Ele disse que a discussão deve compreender mudanças no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), na alíquota de importação, na contribuição do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) e na cobrança de 2% em royalties para mineração. O executivo observa que hoje a alíquota para importação de matéria-prima usada na produção de fertilizantes está zerada. “Adotar uma alíquota agora teria impacto direto no custo do produtor”, observa.
Jornal do Commércio