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Ministro Alexandre Silveira diz confiar na aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pelo Senado

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25/08/2026


Titular da Pasta de Minas e Energia fez a declaração na abertura da EXPOSIBRAM 2026, em Belo Horizonte, e anunciou reforço de R$ 300 milhões para o Serviço Geológico do Brasil em 2027.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na abertura da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026) que o governo confia na aprovação, pelo Senado Federal, da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e negocia para que o PL 2.780/2024 seja aprovado sem alterações, o que evitaria seu retorno à Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já convocou uma reunião com integrantes do governo para discutir os desdobramentos da política. Silveira também anunciou que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) terá R$ 300 milhões previstos no orçamento de 2027 para ampliar o conhecimento do potencial mineral brasileiro.

Na solenidade de abertura, as falas do diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, e da presidente do Conselho Diretor do Instituto e CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches, convergiram na defesa de uma mineração segura, responsável e capaz de gerar prosperidade. Cesário associou o futuro da atividade ao conhecimento, à tecnologia e à geração de riqueza no país. Ana Sanches defendeu uma mineração que gere confiança, respeite as pessoas, os territórios e o meio ambiente e produza valor para a sociedade.

“O futuro é um binômio entre mineração e conhecimento. Se há energia verde, se há bateria, se há inteligência artificial, por trás disso tudo está a mineração”, afirmou Pablo Cesário. A sustentabilidade e a segurança operacional também estiveram entre as prioridades destacadas por Cesário. O dirigente defendeu que o setor avance para além do conceito de sustentabilidade, buscando “uma contribuição líquida e positiva para a sociedade”.

Ana Sanches disse que apoiar uma mineração segura, responsável e sustentável significa “apoiar o caminho para o futuro”. Este futuro, disse, “tem que ser construído sobretudo por atitudes, coragem moral e determinação”, além de defender que “ninguém vence nada sozinho”, e que a mineração precisa conquistar aliados para ampliar a compreensão sobre seus desafios e sua relevância.

Participaram da cerimônia o chefe de gabinete da vice-presidência da República, Pedro Guerra, representando o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, além de autoridades, empresários, especialistas e lideranças. O evento também celebrou os 50 anos do IBRAM, fundado em 1976. Ex-dirigentes do Instituto entre outras personalidades receberam placas comemorativas pela sua trajetória em prol da mineração brasileira.

ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira – crédito: divulgação

Política de minerais críticos entra no centro das decisões nacionais

Ao tratar do PL 2.780/2024 (que institui o PNMCE), o ministro Alexandre Silveira afirmou que o texto em análise no Senado está alinhado ao interesse do país. “Essa é a negociação que está em andamento. Naturalmente, aguardamos ansiosamente para que ele seja aprovado. Eu entendo que o projeto está muito adequado ao interesse nacional”. O ministro disse que o governo já prepara as medidas que poderão decorrer da aprovação. “O presidente Lula já chamou uma reunião […] já para poder discutir os desdobramentos, confiante de que o Senado, naturalmente respeitada a sua autonomia, vai aprovar esse projeto tão importante para o Brasil.”

Segundo Silveira, a etapa seguinte será a regulamentação da política e a definição de medidas capazes de estimular o desenvolvimento econômico a partir dos recursos minerais do país. “A partir daí, vamos desdobrá-lo nos decretos, nas políticas que possam promover o crescimento do país, aproveitando a janela de oportunidade de ter um país soberano, de ter um país que possa decidir como aplicar os seus recursos naturais.”

IBRAM destaca atuação de Alexandre Silveira

Pablo Cesário destacou a participação do ministro na construção da agenda de minerais críticos e estratégicos e relacionou o avanço da política à capacidade recente de governo e Congresso construírem convergências em torno da mineração. Citou a aprovação do PL 699/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), e do PLP 114/2026, que preserva benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e ao Profert.

Para Cesário, essas decisões mostram que temas minerais assumiram posição relevante na agenda política e econômica. Ele citou como exemplo a dependência brasileira de enxofre, insumo necessário à agricultura, ao saneamento e a outras cadeias produtivas, e defendeu políticas capazes de estimular a formação de cadeias industriais próximas às reservas minerais.

Pablo Cesário, diretor-presidente interino do IBRAM – crédito: divulgação

O diretor-presidente do IBRAM também reconheceu a atuação de Alexandre Silveira em temas como a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a regulamentação sobre cavidades naturais subterrâneas e o Plano Nacional de Mineração 2050. Ao mencionar a nova legislação de licenciamento ambiental, Cesário também se referiu ao debate no Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e da legislação sobre a Licença Ambiental Especial.

Mineração, conhecimento e prosperidade

Em sua fala, Pablo Cesário apontou três valores que, segundo ele, devem orientar a atuação do setor. O primeiro é o compromisso com o meio ambiente. O segundo está ligado à capacidade da mineração de levar prosperidade às regiões onde atua e de produzir contribuição positiva para a sociedade. O terceiro envolve a segurança do trabalho e a segurança operacional.

Ao se dirigir à Avabrum, entidade que representa familiares de vítimas e atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho, Cesário afirmou que a presença da associação deve permanecer como referência para o setor. “Eu espero que a presença de vocês seja um lembrete permanente de que quem sai de casa para trabalhar volta para casa no mesmo dia, inteiro.”

A declaração de Cesário mencionou a fala anterior de Nayara Cristina Dias Porto Ferreira, presidente da Avabrum, que defendeu a valorização da vida e das pessoas como princípio permanente da atividade mineral. Cesário também alertou para os riscos associados a eventos climáticos extremos (El Niño) na próxima temporada de chuvas, no início do ano que vem, e informou que o IBRAM já iniciou ações com empresas associadas voltadas à preparação e à segurança das operações.

“A indústria mineral deve ser reconhecida por sua capacidade de ajudar a construir o futuro”

O diretor-presidente do Instituto defendeu uma mudança na forma como a mineração se apresenta à sociedade. Em sua avaliação, a transição energética, as baterias, a inteligência artificial e outras tecnologias ampliaram a percepção internacional sobre a importância dos minerais. Para ele, a indústria mineral deve ser reconhecida por sua capacidade de ajudar a construir o futuro, associada a boas práticas, conhecimento e geração de prosperidade.

Cesário afirmou ainda que o Brasil reúne reservas minerais, empresas qualificadas, centros de pesquisa e credibilidade internacional para assumir protagonismo na agenda global de minerais críticos e estratégicos. Defendeu um arranjo internacional que associe segurança de fornecimento, desenvolvimento tecnológico e participação brasileira nas etapas de maior valor das cadeias produtivas.

Ao encerrar sua fala, definiu o grupo reunido na EXPOSIBRAM como um movimento orientado por valores comuns e pela necessidade de transformar visões em planos de ação coletivos.

Ana Sanches pede aliados para a mineração responsável

Ana Sanches destacou que a abertura da EXPOSIBRAM ocorreu no mesmo dia do primeiro Fórum de CEOs promovido no evento, que reuniu cerca de 50 presidentes de mineradoras. Segundo ela, o encontro discutiu a responsabilidade dos líderes empresariais e a necessidade de elevar os padrões adotados nas decisões das companhias.

Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do IBRAM – crédito: divulgação

A presidente do Conselho Diretor do IBRAM também prestou homenagem a Raul Jungmann, ex-presidente do Instituto, falecido em janeiro deste ano. Ana lembrou a trajetória de Jungmann na vida pública e sua contribuição ao setor mineral durante o período em que comandou o IBRAM.

Na avaliação da executiva, o setor deve buscar uma mineração que gere valor compartilhado, cuide das comunidades vizinhas, tenha segurança, sustentabilidade e prosperidade como referências, respeite pessoas, territórios e meio ambiente e contribua para a transição energética.

Ana Sanches relacionou a velocidade das mudanças desejadas pelo setor à necessidade de ampliar o diálogo com a sociedade. “Precisamos ganhar aliados de verdade”, afirmou. Para ela, esses aliados precisam conhecer melhor a atividade mineral e participar da construção de uma mineração reconhecida pela confiança que gera e pelo futuro que ajuda a construir.

Ao mencionar Alexandre Silveira, Ana destacou a proximidade do ministro com o setor mineral, seu conhecimento sobre os desafios da atividade e sua abertura ao diálogo.

Terras raras como oportunidade para reindustrialização

Em seu discurso e em entrevista à imprensa logo após a solenidade, Alexandre Silveira afirmou que a riqueza mineral brasileira abre uma oportunidade para ampliar a industrialização e a participação do país nas cadeias tecnológicas associadas à transição energética. O ministro classificou o Brasil como um “paraíso dos minerais” ao tratar do potencial nacional e destacou especialmente as terras raras.

“O Brasil com as terras-raras vai ser uma oportunidade de reindustrializar o país, de fortalecer o emprego, a renda, a inclusão”, afirmou.

Silveira também citou o IBRAM como representante do setor privado e participante do debate sobre políticas públicas para a mineração. Segundo ele, cabe ao governo estabelecer a interlocução entre os interesses públicos e privados e orientar essa agenda para objetivos de desenvolvimento nacional.

R$ 300 milhões para ampliar o conhecimento geológico

Outro anúncio do ministro na abertura da EXPOSIBRAM 2026 foi o reforço dos recursos destinados ao Serviço Geológico do Brasil. Silveira afirmou que o país conhece apenas parte de seu subsolo e defendeu maior capacidade orçamentária para que o SGB amplie o mapeamento e o conhecimento geológico nacional.

“Nós só temos 30% do nosso subsolo conhecido […]. O presidente Lula não admite mais que o Serviço Geológico do Brasil não cumpra (esta missão) à altura, por falta de orçamento, em especial neste momento da transição energética, o seu dever e o seu compromisso com o Brasil de conhecer o restante do subsolo brasileiro”, disse.

Segundo o ministro, a previsão para 2027 passa de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões. “Por isso, em vez de R$ 8 milhões, são R$ 300 milhões em 2027 colocados no orçamento no Ministério do Planejamento e Orçamento, fundamental para que a gente conheça as potencialidades do Brasil e avance no setor mineral de forma legal e segura.” Silveira informou ainda que o SGB deverá receber R$ 50 milhões adicionais em 2026.

O fortalecimento do conhecimento geológico atende a uma reivindicação antiga da indústria mineral. A ampliação do mapeamento e da pesquisa é considerada condição para identificar novas reservas, reduzir riscos dos projetos, atrair investimentos e criar uma carteira de empreendimentos capaz de expandir a produção brasileira de minerais críticos, estratégicos e de outras substâncias minerais.


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