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Alcoa ? Um desafio para as próximas décadas

Notícias Gerais

14/12/2009


Alexandre MoschellaLocalizado no oeste do Pará, Juruti não passava de um vilarejo perdido na selva Amazônica até pouco tempo atrás. A situação do município de 34 000 habitantes começou a mudar em 2005, quando a subsidiária brasileira da Alcoa iniciou a construção de um de seus projetos mais ambiciosos: uma mina para explorar as reservas de bauxita da região. Além da alta qualidade do minério (utilizado como matéria-prima para a produção de alumínio), Juruti impressiona pelo tamanho. São 700 milhões de toneladas métricas de bauxita ? e a previsão inicial é explorar 2,6 milhões de toneladas por ano. Ao planejar a obra, que demorou cerca de três anos para ser erguida e exigiu investimentos de 3 bilhões de reais, a Alcoa procurou envolver a comunidade da área. Uma das ações foi a criação, em 2007, do Conselho Juruti Sustentável, que reúne três representantes do poder público, três do setor empresarial e nove da sociedade civil. As discussões nessa associação resultaram na elaboração de um plano que prevê investimentos de 50 milhões de reais em ações como conservação da flora e da fauna, educação ambiental, serviços de saúde, segurança pública, valorização e resgate da cultura local e obras de infraestrutura, como a construção, ainda em andamento, do Hospital Comunitário de Juruti. Neste ano, a Alcoa fechou uma parceria com o Instituto Peabiru, uma ONG de Belém, para criar a Escola Juruti de Sustentabilidade. A ideia dos cursos, que começaram em abril, é informar membros de ONGs, professores e funcionários governamentais sobre os desafios da convivência com a exploração do minério e ensiná-los a conceber e a buscar apoio para projetos que beneficiem a região e permitam seu desenvolvimento sem depender da companhia. Apesar dos cuidados da Alcoa, nem tudo saiu como o previsto. No início de setembro, poucos dias antes da inauguração da mina, o Ministério Público do Pará começou a apurar uma possível contaminação do lençol freático na área das comunidades de Jabuti e Santo Hilário, no município de Juruti. Segundo os moradores da região, a construção de uma rodovia e de uma ferrovia pela Alcoa contaminou os igarapés e tornou a água imprópria para consumo. A empresa admite que as obras deixaram as águas turvas, mas questiona o alcance da contaminação e comprometeuse a fazer a recomposição do solo e o refl orestamento das margens dos igarapés, entre outras medidas de proteção ambiental. Esse incidente deixa claro que os desafi os da gestão sustentável de Juruti não terminam com a simples inauguração da mina, como reconhece Franklin Feder, presidente da Alcoa para a América Latina e o Caribe. ?O diálogo precisa continuar durante os 50, 70 anos em que vamos explorar a mina?, afirma Feder.

Revista Planeta Sustentável


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