Agnelli reforça confiança em reajustes trimestrais
01/12/2010
BELO HORIZONTE – O presidente da Vale, Roger Agnelli, reforçou hoje sua confiança no sistema de precificação trimestral do minério de ferro, afirmando que ele traz menos riscos. “O mercado está quente, quem dá preço é o mercado. E está mostrando que tem demanda. O preço é reflexo da demanda. Então, estamos muito confiantes. Tivemos um ano de 2010 bom e acho que 2011 vai ser um ano também bastante positivo”, afirmou Agnelli, para quem é necessário consolidar o processo de reajuste trimestral, após décadas de vigência do sistema de anual.
“O mercado dita qual é a tendência. Até para a própria siderurgia isso é positivo. Não fica mais aquela questão de preços renegociados a cada ano. Agora é trimestralmente, até em função da volatilidade de moedas. É bom. É menos risco para todo mundo. Até aqui nós estamos contentes e acho que temos que consolidar esse processo”, afirmou.
Fosfato
Agnelli confirmou que a empresa está finalizando estudos de viabilidade econômica para investimentos em uma mina de rocha fosfática e um complexo industrial para a produção de fertilizantes fosfatados em Patrocínio (MG).
O projeto, estimado em R$ 2 bilhões, fazia parte do programa da Fosfértil, da qual a Vale adquiriu 58,6% de participações acionárias no início do ano. O empreendimento já chegou a ser apresentado pela Fosfértil em audiência pública e previa uma mina com capacidade de produção estimada inicialmente em 2 milhões de toneladas/ano de rocha fosfática e uma planta industrial para a produção de 1,26 milhão de toneladas/ano de fertilizantes.
“A gente está no finalzinho do estudo e a intenção é tocar, ir em frente com projeto. O grande problema que nós temos enfrentado hoje, não só a Vale, mas todos aqueles que estão investindo, é fundamentalmente os custos dos projetos, que estão relativamente altos”, disse Agnelli. “Estamos trabalhando para buscar outra forma de fazer, outro tipo de equipamento, para baratear um pouco. Mas o projeto vai em frente.”
O presidente da Vale reiterou que a mineradora não pretende fazer ofertas pela unidade de fertilizantes Copebrás, da Anglo American, que já anunciou disposição de vender parte dos seus ativos. “Estamos focados nos nossos projetos de crescimento orgânico. O primeiro que a gente tinha que fazer de aquisição, a compra da Fosfértil, foi feito. Nós temos muitos projetos para integrar”, disse Agnelli, sem descartar o negócio. “Independentemente de Copebrás, a Vale vai estar entre as maiores empresas produtoras de fosfato e potássio. Copebrás, nós não temos nenhum tipo de sinalização por parte do vendedor. Quem tem que decidir se procura a gente ou não são os vendedores.”
Agnelli participou em Belo Horizonte da inauguração do Memorial Minas Gerais Vale, que integra o circuito cultural da Praça da Liberdade.
O Estado de São Paulo