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Agnelli diz que usinas próprias elevarão demanda por minério

Notícias Gerais

30/11/2009


Fernanda GuimarãesSÃO PAULO – A instalação dos quatro projetos para a cadeia siderúrgica brasileira pela mineradora Vale irá assegurar uma demanda extra de minério de ferro ao Brasil, segundo afirmou o diretor presidente da companhia, Roger Agnelli. “A Vale sempre busca promover o crescimento da indústria siderúrgica no País. Investimos em siderurgia no Brasil para fortalecer a indústria nacional e ampliar a capacidade de produção de aço”, disse o executivo.Agnelli apresentou, em outubro, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o plano de investimentos da mineradora para o próximo ano, que atinge um total de US$ 12,9 bilhões – ou R$ 24,5 bilhões, na conversão feita pela empresa. Deste valor, 67% serão aplicados na implementação de projetos. Na área siderúrgica, a Vale mantém sua participação nos quatro projetos anunciados para o País: a CSA (RJ), e as plantas no Ceará, no Pará e no Espírito Santo. O anúncio ocorreu depois de pressão do governo federal para a mineradora ampliar o valor agregado de seus produtos e não vender apenas a commodity.Quando os quatro projetos entrarem em operação, a expectativa é de que a produção nacional de aço seja acrescida em 45%. “O maior volume de investimento será no Brasil. Será também o maior programa de investimentos de uma empresa privada no País”, disse Agnelli, lembrando que o aporte será o maior do setor mineral mundial no próximo ano.Faltando apenas um mês para o término do ano, o saldo é positivo. “O ano de 2009 está sendo melhor do que esperávamos quando do início do ano. Fizemos fortes ajustes visando a melhorias de custos e de produtividade, e conseguimos aumentar a velocidade do nosso processo decisório”, disse Agnelli. No decorrer do pior momento da crise, a demanda pela commodity caiu e, consequentemente, caiu o preço, o que afetou fortemente os negócios da companhia.DesempenhoA mineradora, depois de apresentar uma forte recuperação no terceiro trimestre do ano, deve ter crescimento ainda superior no último trimestre de 2009. No terceiro trimestre, a companhia lucrou um pouco mais de R$ 3 bilhões, o que representa praticamente o dobro do registrado no período imediatamente anterior. Por outro lado, usando-se como base o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 61,3%.Para o quarto trimestre, o contexto para a Vale é muito positivo, de acordo com analistas. Além do crescimento da demanda pelo minério e da melhora dos preços da commodity, há sinais concretos da recuperação de mercados fora da fronteira da China, como Europa e Japão.De acordo com o analista do setor de mineração da SLW Consultoria, Pedro Galdi, além da volta à operação dos altos-fornos ao redor do mundo, a China continua a atuar fortemente em sua produção de aço. “No quarto trimestre deste ano o preço médio praticado pela Vale vai estar mais alto”, disse o analista.Grande parte das usinas chinesas não aceitou fechar contrato de longo prazo com as mineradoras (contrato benchmark) e hoje, com o preço do minério de ferro no mercado spot (à vista) mais valorizado, a Vale sai beneficiada, o que terá reflexos positivos nos seus resultados.Cabe lembrar que o balanço referente ao quarto trimestre reverterá as comparações negativas que ocorreram nos trimestres anteriores quando comparados aos mesmos períodos de 2008. Nos últimos três meses do ano passado, a crise econômica global já havia exercido forte efeito negativo sobre os negócios da companhia.No entanto, segundo o analista da Modal Asset, Eduardo Roche, o aumento dos embarques a outras regiões que não a gigante asiática, irá fortalecer a Vale. “Com essa tendência começam a descentralizar-se as vendas”, disse Galdi.Outro ponto levantado pelo analista Roche é a questão do corte de custos da companhia, que também deverá favorecer os resultados da empresa. “Ela começou a fazer essa adaptação ao longo do ano e isso deve trazer resultado agora, para o quarto trimestre”, elaborou.

DCI


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