Ações do aço estão voláteis
24/02/2012
Concorrência com importados e baixa exportação são os problemas do setor
O ano de 2012 será difícil para a siderurgia. Segundo avaliações de especialistas e analistas do setor, as empresas do ramo listadas na Bovespa (Usiminas, CSN e Gerdau) deverão apresentar desempenho apenas modesto ao longo do ano. A principal causa é o difícil equilíbrio entre o alto preço dos insumos e a baixa cotação internacional do aço, além das incertezas na economia global.
Em relatório divulgado no começo deste ano, o Instituto Aço Brasil criticou o grande percentual de aço importado pelo país em 2011. Segundo cálculo do instituto, de cada 140 quilos per capita consumidos no Brasil no ano passado, 44, ou 31,4%, foram importados. Apenas de importação indireta (aço contido nos produtos), foram cerca de 5 milhões de toneladas em 2011. Essa tendência deve continuar em 2012, o que impacta negativamente o setor siderúrgico nacional.
Dependentes da indústria automotiva e da fabricação de linha branca, setores bastante afetados pela invasão de importados, CSN e Usiminas devem sofrer mais. Para a siderúrgica mineira, há o agravante de que a empresa ainda não é autossuficiente em minério de ferro e em carvão vegetal, principais insumos na fabricação de aços longos. Maior produtora de aços longos do Brasil, a gaúcha Gerdau é a que possui as melhores perspectivas, em razão das grandes obras de infraestrutura que deverão ser feitas no país.
Na última semana, foi divulgado um relatório do banco HSBC em que as notas de avaliação da Usiminas e da CSN foram “rebaixadas” – de neutro, para underweight. Isso quer dizer uma expectativa de redução de cinco pontos percentuais no valor das ações nos próximos 12 meses. Pelo relatório do banco, a Gerdau mantém a sua classificação como “neutra”.
Pela avaliação do analista de mineração e siderurgia da SLW corretora, Pedro Galdi, a situação da Usiminas é mais crítica. “Não há como aumentar o preço do aço e nem controlar o preço da matéria-prima. A saída é investir na autossuficiência de minério, mas a recuperação será lenta”, explica.
Segundo relatório do Banco do Brasil, assinado pelos analistas Victor Penna e Carlos Daltozo, os estoques de aço devem permanecer altos – acima de três meses, enquanto o nível normal seria de dois meses e meio. Quanto maior o estoque, menores tendem a ser os preços.
O Tempo