Ação de siderúrgicas européias pode afetar balança comercial brasileira
26/03/2010
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) afirma ter verificado com perplexidade reação da Associação Europeia da Indústria Siderúrgica – Eurofer, que considera a recente proposta de mudança do sistema de precificação de minério de ferro uma ação de conduta econômica inadequada.;;
; Em última análise, a Associação propõe um retrocesso na tendência da precificação do minério de ferro de acordo com a realidade do mercado. Os preços de mercado à vista se encontram duas vezes maiores do que aqueles pactuados em contratos de longo prazo. A manutenção do preço atual, como deseja a Eurofer, impactará significativamente de forma negativa a balança comercial brasileira, já que o País é um importante exportador de minério de ferro.
Trata-se de uma tentativa das siderúrgicas europeias, escudadas pela Eurofer, de impedir a implantação de um novo sistema de precificação do minério de ferro. “Está claro que os europeus estão defendendo seus interesses corporativos e econômicos e inaugurando uma reedição moderna da prática do colonialismo e do mercantilismo, ou seja, impondo preço de compra aos produtores de matéria-prima e vendendo seus produtos a preços de mercado”, diz o presidente do Ibram, Paulo Camillo Vargas Penna.
Conforme divulgado pela mídia internacional, as negociações de minério de ferro estão sendo conduzidas respeitando características de qualidade e proximidade, sempre baseadas em variáveis de mercado.
De acordo com o Ibram, empresas brasileiras têm empreendido esforço na direção de suprir o mercado nacional e internacional das commodities minerais, esforço esse que se materializa com investimentos, apenas no Brasil, da ordem de U$ 50 bilhões para um período de cinco anos. Sessenta e cinco por cento deste total, cerca de U$ 35 bilhões, se destinam exclusivamente à infraestrutura e desenvolvimento da mineração do ferro. Este mineral tem destacada participação no superávit da balança comercial do País, mais de cinquenta por cento em 2009, apesar da forte retração de preços, quase 30%, naquele ano.
O que foi anunciado é a negociação com os compradores internacionais de uma prática comercial mais flexível, o que implica na mudança do sistema de preço de referência do minério, baseado em preços de mercado. A proposta, além do caráter voluntário de adesão, assegura transparência, previsibilidade quanto a reajustes, flexibilidade para acompanhamento da movimentação de preços de mercado e garantia de entrega de produto de qualidade. ?Cabe destacar que a mudança irá contribuir significativamente para a eliminação de distorções de todo tipo, inclusive aquelas vinculadas ao comportamento ético. A diferença de preço à vista e o de contrato foi a principal causa do lamentável episódio ocorrido no comércio internacional de minérios, conforme amplamente veiculado pela mídia?, explica a nota do Instituto.
?Ademais, a prática de preço inferior aos estabelecidos pela dinâmica de mercado, como parece ser desejo da Eurofer, virá, em última análise, subsidiar a indústria do aço europeia, além de promover uma indesejável transferência de renda do Brasil para a Europa?, conclui o documento.
“Há uma negociação baseada em claros fundamentos de mercado. Não uma imposição. Eles estão claramente tentando tumultuar as conversações. Não cabe ao Brasil vender minérios a preços inferiores aos de mercado para garantir a recuperação econômica da Europa, como não cabe aos produtores europeus vender seus produtos ao Brasil a preços inferiores ao de mercado”, afirma Camillo Penna, acrescentando que o Ibram voltará a se posicionar sempre na defesa da indústria mineral e dos interesses do País.
Net Comex