Aben: Brasil poderá ter 2ª maior reserva de urânio do mundo
20/06/2008
O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear Brasil (Aben), Francisco Rondinelli, afirmou que a flexibilização do monopólio da atividade de exploração de urânio, em discussão no âmbito do governo federal, poderá dar ao Brasil a segunda maior reserva de urânio do mundo – elevando de 300 mil para 800 mil t o volume do minério cujas reservas são conhecidas no País. Ele deu as declarações no simpósio anual da Seção Latino-Americana da American Nuclear Society (LAS/ANS), no Rio de Janeiro.
Além disso, poderá ainda contribuir de forma decisiva para que o País possa produzir internamente todo o urânio enriquecido a ser utilizado em suas usinas. Na avaliação do presidente da Aben (instituição que reúne técnicos e pesquisadores do setor nuclear privado do País), flexibilizar o monopólio do Urânio é a alternativa mais viável à falta de recurso para que o País dê continuidade ao processo de enriquecimento do urânio, cujo ciclo já domina em sua plenitude.
“O Brasil tem competência em todos os setores, detém o ciclo completo do enriquecimento, mas não gera o suficiente para atender as necessidades de suas próprias usinas. Faltam recursos e, porisso mesmo, o País se vê na obrigação de realizar o enriquecimento no exterior. Já temos descoberto 310 mil t que dariam para fazer 25 usinas iguais a Angra II, com período de vida de 60 anos”, avaliou.
Lembrando que há 30 anos o País não realiza trabalhos de prospecção, Rondinelli defendeu uma decisão favorável à flexibilização do monopólio no Brasil. “Não adianta nada ficar sentado em cima dela (das reservas) e não utilizá-las para nada. Há mais de 30 anos que não se prospecta no País. O que o empresariado quer para desenvolver a atividade são garantias de que poderão exportar parte do que prospectarem.”
O presidente da Aben explicou que o ideal seria que o governo decidisse por um meio termo entre o monopólio hoje existente e uma abertura total do mercado. “Há alguns setores, como o de enriquecimento e fabricação de combustíveis que devem ficar nas mãos do governo, mesmoporque a iniciativa privada não tem muito interesse em investir nessas áreas. Já na prospecção,há o interesse de vários parceiros nacionais e internacionais. Basta dizer que a Vale comprou uma mina de urânio na Austrália. Porque uma empresa brasileira pode explorar urânio na Austrália e não pode no Brasil?”, questionou.
Ele defendeu “uma associação entre o setor privado e a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que ficaria com uma parcela a ser aplicada no ciclo do combustível. “Não é para explorar e levar todo o urânio para o mercado externo. Uma parcela desse urânio seria exportada pela própria INB erevertido para o desenvolvimento e a implementação do processo de enriquecimento do urânio, no próprio País”.
Tendo como tema central A Energia Nuclear, a Matriz Energética Brasileira e o Monopólio da Tecnologia a Retomada da Construção de Usinas Nucleares na América Latina, o simpósio discutiu, entre outros assuntos, exatamente A Flexibilização do Monopólio da Tecnologia Nuclear no Brasil.
O assunto entrou em debate um dia após, no mesmo local, o secretário de Planejamento Latina e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, ter anunciado que a usina nuclear Angra 3 terá suas obras reiniciadas ainda este ano e que o governo pretende construir até 2030 outras quatro unidades no País, com potencial individual de 1 mil megawatts (MW).
Atualmente, um grupo interministerial instituído pela Casa Civil analisa a possibilidade de abrir para o setor privado a atividade de exploração de urânio no País, informou o presidente da Empresa dePesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.
A possibilidade da quebra do monopólio na exploração de urânio restrita à empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia já vem também sendo mencionada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Segundo ele, a intenção do governo é abrir o setor para exploração da iniciativa privada, permitir a exportação do combustível e até, “em determinado momento”, o beneficiamento, desde que sob controle do Estado.
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