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A roda da fortuna de minérios mineiros

Notícias Gerais

19/06/2008


19 de Junho de 2008 – Nós, os nascidos em Minas Gerais, seríamos apenas minenses, caso não retirássemos o nosso sustento da mineração. Os naturais da cidade de Pará de Minas, quase na região metropolitana de Belo Horizonte, são apenas paraminenses, pois não escavam o solo, mas apenas labutam com aviários. Nem todos os leitores sabem, mas se esconde em nosso subsolo a maior reserva mineral do planeta, circunstância que marcou para sempre o nosso destino de homens que procuram coisas que jamais guardaram. Somos assim desde os tempos mais recuados do período colonial, quando os mineiros extraíram cerca de 700 toneladas de ouro das encostas de Vila Rica, hoje a encantadora Ouro Preto. O rico período denominado Ciclo de Ouro deu aos portugueses a fantástica fortuna equivalente a R$ 35 bilhões. O dinheiro elevou o rei D. João V à condição de monarca mais rico do seu tempo. Nós, mineiros, também ficamos com alguma coisa: estão em nosso território 75% do patrimônio histórico nacional, sobretudo na forma de deslumbrantes igrejas coloniais, que atraem turismo e dão o sustento a muitas cidades e seus moradores. Minas vive hoje um fenômeno ainda mais exuberante, que é o ciclo do minério de ferro. Há menos de dez anos esse produto praticamente não tinha nenhum valor e os mineradores se sentiam imensamente felizes quando conseguiam vendê-lo pelo mesmo preço que é obtido pelos caminhões de areia na porta de uma construção. Aquele mesmo minério que era regateado a R$ 10 por tonelada hoje é disputado por estrangeiros que não se importam em pagar US$ 80 pela mesma tonelada, com pagamento adiantado. Por conta disso, a produção brasileira, que era inferior a cem milhões de toneladas na década de 90, atualmente já ultrapassa 300 milhões de toneladas e deverá alcançar 450 milhões dentro de três anos. A expectativa é de que em 2008 a receita brasileira com a venda de minério de ferro ultrapasse R$ 30 bilhões. Esse valor, somado à receita do ano passado, revela que em apenas 24 meses, o Brasil obterá uma receita superior ao que os portugueses amealharam em mais de trinta anos do ciclo do ouro. Não se pode esquecer que a receita do minério acaba pulverizada entre nós, pois o capital da Cia. Vale do Rio Doce, que domina amplamente esse mercado, é compartilhado por mais de um milhão de acionistas. As prefeituras e o estado também recebem a sua parte, por meio do pagamento de royalties. O aumento da produção de minério criou fortunas gigantescas, mas também desnudou falsas inteligências, pois não houve, na última década, a descoberta de uma única jazida nova. Ganharam aqueles que adquiriram as minas no tempo das vacas magras; naufragaram os que não confiaram nas chuvas e em pasto em abundância para alimentá-las. Entre aqueles que não enxergaram dois palmos além do nariz se destacam os luxemburgueses, que detinham a propriedade da antiga Cia. Siderúrgica Belgo Mineira. No primeiro semestre do ano 2000, poucas semanas de os chineses assombrarem o mundo com suas compras, os europeus venderam sua riquíssima mineradora, a Samitri, por R$ 560 milhões. A empresa possui uma reserva já dimensionada de dois bilhões de toneladas. O seu minério é de qualidade superior ao da mineradora J. Mendes, que também dispõe de dois bilhões de reserva e foi vendida por cerca de R$ 4 bilhões. Adicionalmente, a Cia. Vale do Rio Doce, ao assinar a compra da Samitri, levou, gratuitamente, a metade da mineradora Samarco, que foi incluída no negócio para torná-lo mais atraente. Ao mesmo, destacou-se positivamente o desconhecido minerador José Mendes Nogueira, 84 anos, único proprietário da mineração vendida para a Usiminas e que levou quase R$ 4 bilhões para casa. kicker: O novo ciclo do minério de ferro já deu mais dinheiro que o sugado no Ciclo do Ouro (Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 2) DURVAL GUIMARÃES* – Correspondente em Belo Horizonte E-mail: durval@gazetamercantil.com.br)

Gazeta Mercantil


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