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A aposta da Anglo no níquel

Notícias Gerais

07/12/2011


Com unidade no interior de Goiás, companhia vai exportar para Ásia
A pequena Barro Alto, cidadezinha de menos de nove mil habitantes no interior de Goiás, tem na estratégia da sul-africana Anglo American uma importância inversamente proporcional ao seu tamanho. O local é responsável pela meta de dobrar a capacidade de produção de níquel da mineradora no mundo em 2012 e é a peça-chave da empresa para aumentar em 50% seu volume total de crescimento até 2015, segundo a presidente mundial, Cynthia Carroll, que visitou o local ontem. O projeto já recebeu investimentos de US$ 1,9 bilhão e é um dos quatro principais apostas globais da empresa atualmente.
Para se ter uma ideia da importância do Brasil na estratégia traçada pela companhia, dos outros três principais projetos da empresa, mais um está no país: o Minas-Rio, atualmente em fase de obras. A empresa investirá, no total, cerca de US$ 5 bilhões para atingir a capacidade de produção de 26,5 milhões de toneladas anuais de minério de ferro a partir de 2013. O projeto inclui também o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, no qual a Anglo American é parceira da LLX com 49% de participação, localizado em São João de Barra (RJ).
O níquel, no entanto, tem atenção especial de Cynthia Carroll pela perspectiva de crescimento dentro da receita da Anglo. Em 2010, o níquel foi responsável por faturamento de US$ 426 milhões na empresa, número baixo se comparado a receita total, que foi de US$ 32,9 bilhões. ?Queremos continuar crescendo o negócio de níquel, acredito que esta continuará sendo uma commodity essencial. Barro Alto terá um papel importante nesse processo?, diz Cynthia. Segundo a Anglo, o consumo global de níquel passou de 1,12 milhão de toneladas em 2000 para 1,5 milhão de toneladas em 2010. Walter Di Simoni, presidente da unidade de níquel da Anglo American no Brasil, diz que, com a crise, o preço do níquel caiu no mundo, mas que os investimentos são feitos de olho no longo prazo. ?Há estimativas de que, em 2020, haja demanda não atendida de 600 mil toneladas de níquel no mundo?, afirma.
Além de ter a planta de Barro Alto em funcionamento, os planos da empresa na área de níquel incluem também estudos para produção no Pará, com o projeto Jacaré, e no Mato Grosso, na região chamada de Morro sem Boné. Segundo Cynthia, os estudos ainda podem levar alguns anos.
Simoni diz que os dois projetos estão competindo entre si para saber qual receberá investimentos primeiro, e o mais provável é que Jacaré inicie na frente. Em Barro Alto, a expectativa é atingir a capacidade máxima de produção, que é de 41 mil toneladas de níquel por ano, no segundo semestre de 2012. Além disso, a unidade de níquel da Anglo possui também uma planta de níquel em Niquelândia, em Goiás, há 28 anos, e outra na Venezuela, há 10 anos.O principal cliente nesta área é a Arcelor Mittal, que utiliza amatériaprima na produção de inox.
Cerca de 70% da produção de níquel da Anglo American no Brasil é voltada para o mercado interno. Com a nova fábrica em produção, Di Simoni diz que será possível iniciar a exportação de níquel para a Ásia. Hoje, cerca de 43% do total de níquel produzido no mundo é consumido pela China ? mercado que a Anglo não tinha condições de atender. No Brasil a empresa compete com companhias como a Vale.

Brasil Econômico


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