8° CBMINA: Falta de conceito para recursos e reservas afasta Brasil de investidores
07/08/2014
O Brasil é o único país dos Brics que não aderiu ao sistema Crirsco, que normatiza conceitos como o de reservas e recursos minerais. Isso pode afastar empresas locais de investidores internacionais, disse hoje (6) o consultor e geólogo Norman Lock, durante a conferência de abertura do 8º Congresso Brasileiro de Mina a Céu Aberto (CBMINA), em Belo Horizonte (MG).Os códigos de minas de grandes países mineradores como Canadá, Austrália e Chile estão alinhados às definições emitidas pelo Committee for Mineral Reserves International Reporting Standards (Crirsco), um comitê criado para fomentar a elaboração de relatórios sobre recursos e reservas que tenham um padrão que possa ser entendido internacionalmente.?Empresas de países que não são membros não têm um acesso tão bom ao mercado de capital disponível no mundo?, diz Lock. Segundo ele, 80% as empresas dos países membros do Crirsco somam 80% do valor total de empresas mineradoras que estão listadas em bolsa no mundo. ?O Brasil é um candidato potencial.?A inclusão de conceitos internacionais de recursos e reservas no novo marco regulatório da mineração, que tramita no Congresso, é uma das reivindicações de entidades e especialistas do setor.O Crirsco foi criado em 1994 com o patrocínio do Council for Mining and Metallurgical Institutions (CMMI), entidade que foi encerrada em 2002.O predecessor do Crirsco foi o UNFC, desenvolvido pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece) em 1997. O UNFC foi criado, na época, com a intenção de criar um único sistema global que harmonizasse todos os sistemas nacionais e internacionais para a divulgação de relatórios sobre recursos e reservas tanto no âmbito governamental quanto comercial para hidrocarbonetos e minérios sólidos.Em 1999, o Crirsco chegou a um acordo com a Unece para que seus conceitos fossem incorporados aos da UNFC no que diz respeito às categorias de recursos e reservas usados em relatórios de mercado.Lock explica que o UNFC inclui relatórios para materiais não econômicos e, por isso, é mais usado por governos e organizações não governamentais, enquanto o Crirsco é utilizado por empresas privadas.?Que sistema usar? Eles não competem entre si, o UNFC é um guarda-chuva global, melhor para governos e ONGs, mas as empresas podem usá-lo internamente?, afirma o consultor.No sistema Crirsco, é essencial que haja ?perspectiva razoável para a extração econômica?, ou seja, o princípio da economicidade é muito importante. Outra diferença importante entre os sistemas é que a divulgação de resultados (disclosure) e o controle e garantia de qualidade (QAQC) são cobertos pelo Crirsco. No caso do UNFC, classificadores e usuários finais têm que concordar com esses dois aspectos.O CBMINA, que é uma realização do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acontece até o dia 8 de agosto na Escola de Engenharia da UFMG.
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