Pablo Cesário defende protagonismo do Brasil na agenda global da mineração
01/07/2026
Diretor-presidente do IBRAM participou do CNN Talks e afirmou que minerais críticos exigem avanço tecnológico, financiamento e agregação de valor no país.
O Brasil tem condições de liderar a agenda global de minerais críticos, mas precisa avançar em tecnologia, financiamento e agregação de valor para transformar seu potencial mineral em prosperidade. A avaliação foi feita pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, durante o ‘CNN Talks Nova Era da Mineração’, realizado nesta terça-feira, 30 de junho, em São Paulo.
O encontro reuniu autoridades, como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, empresários, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir a mineração brasileira em um cenário marcado pela transição energética, pela disputa por minerais críticos e pela segurança das cadeias de suprimento. A programação também abordou licenciamento ambiental, inovação, sustentabilidade, rastreabilidade, financiamento e maior participação do Brasil nas etapas estratégicas da cadeia mineral. Também participaram associados, conselheiros e dirigentes do IBRAM, entre os quais, a presidente do Conselho Diretor e CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches.

Transição energética exige mineração e conhecimento
No painel do talk show, Pablo Cesário defendeu que a mineração brasileira seja reconhecida como setor estratégico para o desenvolvimento tecnológico, a transição energética e a geração de prosperidade no país. “Há muito tempo a mineração não é vista como portadora de futuro, tal como ela é. Quando a gente fala de transição energética, a gente está falando de mineração mais conhecimento”, afirmou.
Terras raras expõem desafio tecnológico do país
Para o diretor-presidente do IBRAM, o desafio do país nas próximas etapas é menos industrial e mais tecnológico. Ele citou como exemplo a separação, em escala industrial, de terras raras, tecnologia hoje concentrada na China. “Essa tecnologia é central. A gente precisa desenvolver aqui. Dá para fazer? Dá”, disse. Pablo também destacou que o Brasil dispõe de centros de pesquisa e conhecimento técnico para avançar nessa agenda.
Brasil reúne condições para atrair investimentos
Pablo Cesário afirmou que o Brasil tem segurança institucional, capacidade industrial e conhecimento técnico para atrair investimentos e ocupar posição de protagonismo na agenda global da mineração. “Longe de uma imagem de insegurança, nós, no Brasil, podemos bater no peito e dizer: ‘Nosso país é um lugar seguro e todo mundo que vier somar e produzir prosperidade aqui será bem-vindo’”, declarou.
Segundo ele, o país pode dialogar com China, Estados Unidos e Europa em outro patamar. “Sabemos fazer mineração, sabemos fazer indústria e sabemos fazer tecnologia.”
Mineração sustentável deve gerar prosperidade no Brasil
Na avaliação de Pablo, o protagonismo brasileiro precisa estar associado à criação de prosperidade no país e à valorização da mineração industrial sustentável. Ele afirmou que o setor preserva, em formações florestais, área 20 vezes maior que a ocupada por suas operações industriais.
Também destacou avanços da indústria mineral na mudança da matriz energética, na redução de emissões e na preservação ambiental. “A mineração precisa ser vista como setor que é portador de futuro”, disse.
Financiamento é condição para agregar valor
Outro ponto tratado por Pablo Cesário foi a necessidade de fortalecer o financiamento da mineração no Brasil. Segundo ele, há mais empresas brasileiras de mineração listadas em bolsas do Canadá e da Austrália do que na B3, em São Paulo. “Isso é um absurdo”, afirmou. Ele disse que o país precisa discutir formas de aproximar o mercado de capitais local das empresas que atuam no território nacional.
Projeto dos minerais críticos pode impulsionar novas etapas da cadeia
Pablo citou a reforma tributária e as medidas previstas no projeto de lei dos minerais críticos e estratégicos(PL 2780/2024), aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, como avanços importantes para a agregação de valor no Brasil. Ele defendeu ainda o debate sobre mecanismos semelhantes aos títulos flow-through shares, usados no Canadá e na Austrália para estimular investimentos no setor mineral. “A gente vai precisar falar de flow-through shares, que é copiar o que os canadenses e australianos fizeram”, afirmou.