IBRAM debate mineração e geopolítica global em seminário no Rio de Janeiro
14/05/2026
O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) participou, nesta quinta-feira (14/5), do seminário “A Mineração e a Geopolítica Mundial”, organizado pela Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro (RJ). O evento reuniu representantes do setor mineral, autoridades e especialistas para debater o papel da mineração diante das transformações econômicas, energéticas e geopolíticas em curso no mundo.
O seminário contou com a participação do diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, do diretor de Comunicação e Projetos, Paulo Henrique Soares, do consultor do Instituto, Fernando Azevedo e Silva, e da diretora do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Silvia França.
Pablo Cesário afirmou que a mineração ocupa posição central nas transformações econômicas e tecnológicas atuais. “Não existe produção de energia sustentável ou a sustentação do nível de consumo de energia que a humanidade está procurando sem a mineração”, destacou.
O executivo ressaltou que minerais como cobre e terras raras serão decisivos para sustentar a expansão da inteligência artificial, dos data centers e da transição energética global. “O que a gente está enfrentando, como nova sociedade, exige um binômio que é minério e conhecimento. E isso situa a mineração como um dos elementos centrais”, afirmou.

Ao abordar a discussão sobre minerais críticos e estratégicos no Brasil, Cesário destacou o avanço das propostas em debate no Congresso Nacional e a importância do tema para o posicionamento do país no cenário internacional. “Esse não é mais um jogo de mercado, esse é um jogo de geopolítica”, disse.
Segundo ele, o Brasil reúne condições para assumir protagonismo no setor mineral, tanto pelas reservas existentes quanto pela capacidade técnica nacional. “A gente tem capacidade de olhar nos olhos de qualquer grande potência”, afirmou. Cesário também defendeu o fortalecimento da cadeia produtiva mineral e a agregação de valor aos recursos produzidos no país. “Não queremos apenas ser lavradores, nós queremos que o conhecimento esteja aqui. Queremos que essa riqueza beneficie os brasileiros”, declarou.
O consultor do IBRAM, Fernando Azevedo e Silva, também participou do seminário como palestrante e reforçou a importância estratégica da mineração para o desenvolvimento nacional. Segundo ele, mais do que uma atividade econômica, a mineração é hoje um ativo estratégico, econômico, ambiental e geopolítico.

Cenário internacional, soberania e desenvolvimento
Durante o seminário, Pablo Cesário alertou para as mudanças no cenário internacional. Segundo ele, o novo contexto global exigirá do Brasil maior capacidade de planejamento estratégico, proteção de interesses nacionais e fortalecimento da soberania.
O diretor-presidente do IBRAM também ressaltou a construção de consensos em torno da pauta mineral no país. “Apesar de toda a polarização, ainda assim nós pudemos chegar, na semana passada, a um consenso”, disse, ao comentar os avanços recentes das discussões legislativas relacionadas aos minerais críticos e estratégicos e a aprovação do PL 2780/2024 na Câmara dos Deputados. O texto aguarda votação no Senado.
Ao encerrar sua apresentação, Cesário reforçou o potencial brasileiro e a necessidade de utilizar os recursos minerais como instrumento de desenvolvimento nacional. “Nós, brasileiros, não temos nenhuma razão para nos sentirmos menores”, afirmou. “O que a gente precisa saber sobre o Brasil é como a gente usa a mineração e todos os outros conhecimentos e recursos que temos para atingir o nosso propósito, que é manter a soberania e construir um caminho de prosperidade para todos”, concluiu.
O seminário reforçou a importância da mineração para o futuro econômico e estratégico do país e a necessidade de maior integração entre indústria, pesquisa, defesa e formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento nacional.