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Faturamento da mineração cresce 34% no 3ºtrimestre e exportações alcançam US$ 12,2 bi

Notícias Gerais

21/10/2025


Levantamento do IBRAM mostra elevação no faturamento de minério de ferro, cobre e ouro. Setor ampliou em 34,4% a arrecadação de tributos, totalizando R$ 26,3 bilhões, na comparação entre o 3º trimestre de 2025 e o de 2024.

O faturamento do setor atingiu R$ 76,2 bilhões no 3º trimestre de 2025 (3T25), alta de 34% frente ao 3T24 (R$ 56,7 bilhões). É o que divulgou nesta 3ª feira (21/10) o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em entrevista coletiva conduzida pelo diretor-presidente Raul Jungmann, para divulgar o desempenho da indústria no 3T25.  Também participaram da coletiva, pelo IBRAM: o vice-presidente, Fernando Azevedo, e o diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery.

Segundo o Instituto, as exportações do período somaram aproximadamente 121 milhões de toneladas, equivalentes a US$ 12,2 bilhões, avanço de 6,2% em volume e 9% em valor; o saldo da balança comercial mineral foi de US$ 9,64 bilhões, o que correspondeu a 62% do superávit do Brasil no trimestre. Para efeito de comparação, no 1T24 essa participação havia sido de 50%.

Faturamento por estados e substâncias

Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o faturamento do 3T25, com participações de 39%, 35% e 4% do total, respectivamente. O minério de ferro respondeu por 52% da receita do setor, somando R$ 39,8 bilhões, com alta de 27% na comparação com o 3T24. Destaque também para o aumento do faturamento de cobre (85% = R$ 7,3 bilhões) e de ouro (58% = R$ 9,6 bilhões).

Emprego: a indústria extrativa mineral registrou 227.567 empregos diretos em agosto de 2025, com 6.585 novas vagas entre janeiro e agosto, segundo o Novo Caged.

Comércio exterior, tributos e investimentos

No mercado externo, o minério de ferro manteve protagonismo, mas registrou leve recuo de 0,8% em US$ por efeito de preços, enquanto o ouro apresentou forte expansão: +31,8% em toneladas e +78,8% em valor exportado. Em volume, houve aumento de 106,6% na exportação de manganês, de 23,5% de nióbio e de 14,6% de cobre. Bauxita (-8,4%), caulim (-44,5%) e pedras/revestimentos naturais (-1,1%) figuraram entre as quedas. A China permaneceu como principal destino das exportações minerais brasileiras. 

As importações minerais somaram cerca de 11 milhões de toneladas e US$ 2,5 bilhões, com retração de 4,2% em volume e alta de 3,3% em valor. O Brasil importou menos carvão (-31,5%) e zinco (-26%), em dólar, mas ampliou em 130% as compras de enxofre, em 53,8% as de rocha fosfática, em 37,2% as de pedras e revestimentos e em 25,2% as de potássio.

Nas compras externas, Estados Unidos, Rússia, Canadá e Austrália foram os principais fornecedores de minérios no 3T25.

A arrecadação total de impostos e tributos do setor cresceu 34,4% e chegou a R$ 26,3 bilhões no trimestre; a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) somou R$ 2 bilhões. Ao todo, 2.778 municípios recolheram CFEM.
Para 2025-2029, o IBRAM projeta US$ 68,4 bilhões em investimentos, dos quais US$ 18,45 bilhões serão destinados a minerais críticos. Os três maiores grupos de projetos por participação são minério de ferro, socioambientais (ESG) e logística.

A íntegra dos dados do setor mineral pode ser baixada no site do IBRAM.

O IBRAM também divulgou posições do Brasil no ranking de reservas e produção dos minerais críticos, conforme a seguir:

MINERAL CRÍTICO RANKING PROD. MUNDIAL RANKING RESERVA MUNDIAL*
COBRE 14º 12º
ALUMÍNIO
NÍQUEL
LÍTIO
NIÓBIO
ZINCO 14º 12º
CROMO
GRAFITA
TITÂNIO 16º
VANÁDIO
CHUMBO 37º 10º

 

Sobre os minerais críticos e estratégicos (MCEs), Raul Jungmann, disse que os “investimentos vão decolar no Brasil nestes próximos anos”. Até 2029 estão previstos mais de US$ 18 bilhões. O Brasil poderá expandir a produção e industrialização de MCEs e para isso será relevante o papel do Conselho Nacional de Política Mineral, instalado pelo governo federal este mês, disse o dirigente.

ANM Jungmann também abordou a situação de fragilidade orçamentária da Agência Nacional de Mineração (ANM), que está sob ameaça de paralisar atividades diversas, de fiscalização e regulação do setor mineral. “Isso nos preocupa muito”, afirmou em nome do IBRAM e das 311 associadas. Por falta de recursos financeiros, a ANM, inclusive, cancelou a participação de seus representantes na EXPOSIBRAM 2025, principal evento do setor a ser realizado pelo IBRAM a partir de 27/10 em Salvador (BA). “Quando a ANM deixa de ter recursos sequer para se fazer presente na EXPOSIBRAM, como ficam as outras áreas, de fiscalização, de direitos minerários, de segurança de barragens?”, questionou.

Operação RejeitoRaul Jungmann fez um apelo às autoridades para que liberem recursos financeiros com urgência para fortalecer a ANM: “o setor mineral é dinâmico, importante e contribui para desenvolvimento do país. E é fundamental contarmos com uma ANM forte, independente, que possa assumir plenamente suas atribuições, que são centrais para a evolução da mineração”. 

Outro comentário foi sobre a Operação Rejeito, que investiga atividades ilegais envolvendo atividades de mineração e autoridades públicas. Jungmann frisou que nenhuma empresa associada ao IBRAM está envolvida e que o Instituto é “contrário à corrupção e esperamos dos órgãos de controle, como Polícia Federal, que os responsáveis por processo de corrupção no setor sejam identificados, julgados e punidos. Esta é a boa prática. Tem que reduzir a impunidade para combater a corrupção. O melhor antídoto para a corrupção é o fim da impunidade”, afirmou.


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