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Minérios que crepitam muito não podem ser comercializados para a indústria siderúrgica

CONIM

24/06/2021


Minérios que crepitam muito e que degradam em excesso, quando aquecidos rapidamente, não podem ser comercializados para uso em altos-fornos e em reatores de redução direta. Isso em razão de o material prejudicar a produtividade do processo ao gerar muitos finos no interior desses equipamentos. 

Dessa forma, é da maior importância que o fornecedor e o consumidor de minérios de ferro contem com ensaios consistentes, feitos em escala de laboratório, para determinar previamente o grau de crepitação dos minérios e, assim, definir quais podem ou não ser comercializados. 

O principal ensaio utilizado internacionalmente para tal definição tem sido o da ISO 8371 (Iron ores for blast furnace feedstocks — Determination of the decrepitation index). No entanto, algumas vezes têm ocorrido divergências significativas nos resultados obtidos por diferentes laboratórios ao testarem uma mesma amostra. 

Funcionamento Alto forno
Funcionamento alto-forno. Crédito: Revista Conexão Mineral

Buscando solucionar este problema, o Comitê da ISO para ensaios metalúrgicos de minério de ferro (TC 102/SC 3) criou um grupo de trabalho com especialistas representantes da África do Sul, Austrália, Alemanha, Brasil e Japão. Foi atribuído a este grupo o objetivo de aprimorar os procedimentos descritos na ISO 8371 por meio de um interlaboratorial internacional, feito com minérios oriundos de três países. 

A liderança deste grupo é australiana e o especialista brasileiro (corresponding partner) é o engenheiro Arthur Napoleão, consultor do Comitê para a Normalização Internacional em Mineração do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM/CONIM), que operacionaliza a Secretaria Técnica do Comitê Brasileiro de Minérios de Ferro, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, denominado ABNT/CB-41, e gestor do ABNT/CB-41. Por sua vez, o laboratório que realiza os ensaios de crepitação pelo Brasil é o da CSN Mineração, em Casa de Pedra/MG. 

Importante ressaltar que a participação em interlaboratoriais é uma das formas mais efetivas, e de baixo custo, para avaliar e aprimorar o pessoal e a infraestrutura de um laboratório. Este tem sido, entre outros, um dos grandes benefícios da participação das nossas empresas nos trabalhos de desenvolvimento e aprimoramento das normas ISO e ABNT.  

Os resultados deste interlaboratorial internacional serão discutidos na próxima reunião internacional do TC 102/SC 3, em setembro de 2021.


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