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O novo descobrimento do Brasil passa por seu subsolo

Notícias Gerais

27/10/2010


ANÁLISE
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O PAÍS QUASE DESCONHECE O QUE TEM EMBAIXO DA TERRA E DO OCEANO PRÓXIMO À COSTA

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PAULO CAMILLO VARGAS PENNAESPECIAL PARA A FOLHA
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Eventuais mudanças nas perspectivas de curto a longo prazo fazem com que a atenção do setor produtivo se concentre no segundo turno das eleições.
Não é diferente com a mineração, atividade que é planejada e executada no longo prazo.
Como abordado em meu artigo anterior neste espaço, quem vencer no próximo domingo pode ter como item importante de seu programa de governo o estímulo à mineração em seus vários estágios, a começar pela pesquisa geológica, quando se descobrem os depósitos minerais.
A despeito dos esforços da estatal CPRM – Serviço Geológico do Brasil, o fato é que o país praticamente desconhece o que tem embaixo da terra e do oceano próximo à costa brasileira. Apenas 30% do território brasileiro apresenta mapeamento geológico em escala condizente com a pesquisa de jazidas.
Considerando apenas os investimentos privados em pesquisa, foram empregados no Brasil, em 2009, US$ 234 milhões -ou apenas 3% do total mundial. Esse valor fica abaixo do de países como Peru (7%) e Chile (5%).
O novo descobrimento do Brasil, de como ele poderá ser mais competitivo, passa pelo conhecimento de seu subsolo.
E tanto a pesquisa estatal quanto a particular -que pode ser viabilizada com financiamento via Bolsa de Valores, estímulos fiscais, por exemplo- precisam ser fomentadas.
Para tornar a questão ainda mais grave, criam-se reservas naturais intocáveis, com o nobre objetivo de preservar a fauna e a flora das intervenções humanas.
Nobre, mas nem tão vantajoso para o país, porque nem sequer há como estudar o subsolo para que os brasileiros saibam quais eventuais jazidas estão ali ocultas.
Leve-se em conta que a exploração mineral empresarial é uma das atividades que menos provocam impactos; geralmente atua em 5% das áreas concedidas, preservando os 95% restantes. A floresta de Carajás (PA) é um exemplo dessa realidade.
O Brasil, embora seja um importante “player” no setor mineral, apresenta séria dependência externa de minérios essenciais. É o quarto maior consumidor de fertilizantes, mas responde por apenas 2% da produção.
Importa 91% de suas necessidades de potássio e 51% das de fosfato, ambos utilizados na fabricação de fertilizantes. Com os bilhões de dólares empregados na importação desses insumos, o Brasil sangra sua balança comercial todos os anos. Notícia publicada na Folha no último sábado dá uma boa mostra da importância de investir em pesquisa geológica.
A China, acusa a Alemanha, contigencia a exportação de minérios raros utilizados em equipamentos de alta tecnologia. Quem assegura que o Brasil não detém grandes reservas desses mesmos minérios raros ou de fosfato e potássio em seu subsolo?
Sem pesquisa mineral, nunca saberemos.
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PAULO CAMILLO VARGAS PENNA é diretor-presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

Folha de São Paulo


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