Primeira mina de ouro submarina atrai investidores para Papua-Nova Guiné
25/10/2010
A mineração encontrou uma nova fronteira no fundo do mar. Papua-Nova Guiné, no Pacífico, está concluindo a autorização para que a empresa canadense Nautilus explore a 1.600 metros de profundidade uma jazida de ouro e cobre.
As autoridades de Papua tinham previsto dar a autorização recentemente, mas a negociação das condições atrasou cerca de duas semanas, segundo a rádio pública australiana. O caso pôs em alerta os ecologistas, que avisam sobre o impacto da mineração no leito marinho.
Há razões poderosas e simples para ir ao fundo marinho. “Os minérios se esgotam na terra e as grandes reservas estão embaixo do mar”, explica Francisco Javier González, pesquisador de recursos minerais marinhos no Instituto Geológico e Mineral da Espanha. Assim como se extrai petróleo e gás embaixo do mar – e diamantes em algumas áreas costeiras da África do Sul e da Namíbia -, agora chega a vez dos minérios.
A empresa Nautilus possui uma série de robôs que perfuram o leito e, por meio de dutos, envia o minério a um barco na superfície. O diretor dos estudos para ampliar a plataforma marinha espanhola, Luis Somoza, indica que a mineração submarina “tem sentido em zonas onde há grande concentração de minérios”. Não se pode fazer como na superfície, onde é possível dragar enormes quantidades de terra, mesmo que a proporção de minério seja muito baixa. Somoza explica que se trata de perfurar o mínimo possível para reduzir o impacto ambiental.
Por isso, é essencial realizar estudos caros e detalhados antes da exploração. “É preciso conhecer muito bem o fundo marinho que será explorado, e isso é realmente caro”, salienta Somoza. No caso de Papua, a Nautilus – que ontem afirmou que não comentaria nada sobre o projeto enquanto não receber a licença – quer perfurar as chaminés de sulfurados metálicos na jazida Solwara-1. A empresa quer começar a operar em alguns meses e calcula que pode extrair 1,2 milhão de toneladas por ano dos 11,2 hectares do poço. O investimento inicial previsto é de 275 milhões de euros, segundo o site da empresa.
Por essas chaminés, às vezes de apenas algumas dezenas de metros, saem os gases do córtex terrestre. Esses gases, que saem a 350 graus, contêm minérios como ouro e cobre e se precipitam em contato com água. Encontram-se nas dorsais oceânicas, a pouca profundidade. “A área do Nautilus pode parecer profunda, mas 1.600 metros é relativamente raso. A essa profundidade estava o vazamento da BP no golfo do México”, lembra González. As chaminés, segundo ele, também são jovens, de “apenas alguns milhares de anos”. As minas de Rio Tinto na Espanha (Huelva, Andaluzia), por exemplo, são depósitos semelhantes mas fósseis, já apagados.
O projeto da Nautilus é o primeiro que é observado por todos os cientistas. Está mais avançado porque se encontra nas águas de Papua, e por isso é esse país de cerca de 5 milhões de habitantes que deve autorizá-lo. Mas não será o último. Diante do sucesso da mineração submarina, a ONU criou um protocolo para autorizar – e receber uma compensação – pela mineração em águas internacionais.
A China pediu em junho à Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos (AIFM) da ONU autorização para explorar uma área no sudoeste do oceano Índico. Somoza explica que “China, Índia e Brasil são os países mais pujantes, porque sua demanda de minérios cresce em grande ritmo. Mas a França ou a Rússia também têm projetos de pesquisa”.
Apesar de o preço do cobre não chegar aos níveis de 2007 (quando houve a bolha das matérias-primas), dobrou de valor em relação a 2005. O ouro triplica sua cotação de 2004.
A Espanha analisou a existência de nódulos de manganês no golfo de Cádiz e também apareceram áreas com potencial no Cantábrico. Além do potencial mineral há zonas muito relevantes para a ciência: “Existem organismos que vivem nessas condições extremas e que podem ter interesse farmacológico”, diz González.
Uol